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RJ: MP pede prisão de 28 policiais julgados por juíza assassinada

8 set 2011
12h07
atualizado às 15h04
Luís Bulcão
Direto do Rio de Janeiro

O Ministério Público (MP) pediu a prisão de 28 Policiais Militares de São Gonçalo que estavam incluídos em processos julgados pela juíza Patrícia Acioli, assassinada no dia 11 de agosto em Niterói. Todos fazem ou fizeram parte do 7º Batalhão, de São Gonçalo. De acordo com o MP, 90% dos casos envolvem autos-de-resistência, quando ocorre a morte por confronto com a polícia.

Ao todo, o MP vai pedir à Justiça o afastamento cautelar de 34 policiais, incluindo os 28 PMs com a prisão solicitada. O pedido é baseado na nova lei 12403. O MP considera que as suspeitas levantadas contra os policiais tornem o exercício da profissão de policial incompatível até que os processos sejam julgados.

Os policiais terão que entregar suas armas e identidades funcionais e vão ter que comparecer aos quartéis diariamente até que os processos sejam julgados. Segundo o procurador geral de Justiça, Cláudio Soares Lopes, o número de pedidos pode aumentar, visto que o MP analisou até agora somente 60% dos processos que estavam sob o cuidado de Acioli.

No caso dos PMs que tiveram a prisão solicitada, caso a Justiça não aceite o pedido, eles ainda poderão ser afastados. "Se alguém pensou que o assassinato da juíza iria intimidar a justiça como um todo, uma resposta efetiva teria que ser dada no contrário", afirmou o procurador.

"Todos os processos são de auto-de-resistência, envolvendo milícias de regiões distintas. São réus de vários processos. Em algumas situações estão juntos, mas não há indícios de que sejam parte de uma mesma grande organização criminosa", disse Lopes.

Segundo o procurador, não há provas de envolvimento desses policiais com o assassinato da juíza. "As medidas tomadas não fazem parte da investigação que está sendo conduzida pela Divisão de Homicídios do Rio", concluiu.

Juíza estava em "lista negra" de criminosos
A juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, foi assassinada a tiros dentro de seu carro, por volta das 23h30 do dia 11 de agosto, na porta de sua residência em Piratininga, Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, ela foi atacada por homens em duas motos e dois carros. Foram disparados mais de 20 tiros de pistolas calibres 40 e 45, sendo oito diretamente no vidro do motorista.

Patrícia, 47 anos, foi a responsável pela prisão de quatro cabos da PM e uma mulher, em setembro de 2010, acusados de integrar um grupo de extermínio de São Gonçalo. Ela estava em uma "lista negra" com 12 nomes possivelmente marcados para a morte, encontrada com Wanderson Silva Tavares, o Gordinho, preso em janeiro de 2011 em Guarapari (ES) e considerado o chefe da quadrilha. Familiares relataram que Patrícia já havia sofrido ameaças e teve seu carro metralhado quando era defensora pública.

Missa em homenagem à juíza Patrícia Accio ocorreu na igreja do Carmo, centro do Rio de Janeiro
Missa em homenagem à juíza Patrícia Accio ocorreu na igreja do Carmo, centro do Rio de Janeiro
Foto: Alessandro Buzas / Futura Press
Fonte: Especial para Terra
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