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PMs que agrediram manifestantes não policiarão mais protestos no RJ

28 ago 2013
19h57
atualizado às 20h02
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A Polícia Militar do Rio de Janeiro anunciou nesta quarta-feira, em nota, que os policiais filmados agredindo uma manifestante durante um protesto no bairro de Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro, na terça-feira, foram identificados e afastados do policiamento nas manifestações.

De acordo com a PM, eles serão submetidos à avaliação psicológica e terão suas condutas avaliadas em sindicância “para verificar a responsabilidade penal e disciplinar”. “O comando da corporação não coaduna com este tipo de comportamento”, afirma a nota da assessoria de imprensa da polícia .

Ainda segundo a nota, um grupo de vândalos agiu no protesto de ontem atacando policiais e depredando patrimônio público. “Diferente de outras manifestações que têm ocorrido de forma ordeira, fica evidente nas imagens divulgadas na imprensa que há um grupo de vândalos com paus e pedras agindo tão e somente com intuito de depredar patrimônio público, privado e atacar policiais militares”, diz a PM.

Vídeo mostra mulher sendo agredida por PMs
Um vídeo publicado no Youtube na terça-feira mostra uma mulher sendo derrubada e acertada por golpes de cassetete e chutes de policiais militares em meio ao protesto realizado ontem no Rio de Janeiro.

Os protestos realizados ontem no Rio de Janeiro foram marcados pelo conflito entre manifestantes e a polícia. Nas ruas de Laranjeiras, na zona sul da capital fluminense, houve confronto quando o ato chegou às proximidades do Palácio Guanabara, sede do governo estadual. O Batalhão de Choque da PM entrou em ação, lançando bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e dando tiros com balas de borracha em direção aos manifestantes.

Houve registro de pessoas feridas, inclusive por tiros com balas de borracha. Após a ação da PM, os manifestantes se dispersaram, montando barricadas, formadas por lixo e lixeiras, arrancadas e incendiadas.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus ; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado . Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia .

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos . Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo , Rio de Janeiro , Curitiba , Salvador , Fortaleza , Porto Alegre e Brasília .

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades , mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff , ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra

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