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No Twitter, Bolsonaro abre vantagem sobre Haddad

Apoiadores do candidato do PSL geram maior quantidade de conteúdo, diz estudo da FGV

11 out 2018
16h59
atualizado às 17h27
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Assim como nas intenções de voto, o candidato Jair Bolsonaro (PSL) abriu vantagem sobre Fernando Haddad (PT) nas citações entre internautas na largada do segundo turno da disputa presidencial. Apesar da base de apoio do petista ser maior que a de Bolsonaro no Twitter, os apoiadores do candidato do PSL geraram maior quantidade de conteúdo logo após a votação do primeiro turno.

Levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas* (DAPP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que de segunda-feira, 8, até quarta-feira, 10, o presidenciável do PSL foi citado em 6,6 milhões de publicações no Twitter, enquanto Haddad foi mencionado 2,3 milhões - quantidade menor que a metade do adversário.

Bolsonaro e Haddad  REUTERS/Ricardo Moraes/Paulo Whitaker - RC138B9D63C0
Bolsonaro e Haddad REUTERS/Ricardo Moraes/Paulo Whitaker - RC138B9D63C0
Foto: Ricardo Moraes e Paulo Whitaker / Reuters

Bolsonaro tem apresentado uma média de 2,7 milhões de citações por dia no Twitter, desde o domingo do primeiro turno, e Haddad, uma média de 800 mil menções por dia no mesmo período. "O deputado federal do PSL já se estabeleceu como o foco do debate tanto em grupos favoráveis quanto em oposição, e Lula continua com relevante papel nas discussões, enquanto Haddad persiste longe de conseguir essa centralidade, apesar do maior engajamento na web de eleitores do PT de torná-lo independente", diz o relatório da FGV.

Em uma análise de interações sem robôs sobre os presidenciável, o estudo identificou que a base de apoio de Fernando Haddad no Twitter representa 23,9% dos perfis que falam sobre as eleições na rede social, enquanto que apoiadores de Jair Bolsonaro correspondem a 19,5% das contas. Por outro lado, o grupo que apoia Bolsonaro é responsável por 38% das interações, enquanto o outro lado gera 33,1% do conteúdo.

Há ainda outro grupo superior formado por 41,3% dos perfis. Essa parcela reúne contas críticas ao discurso de Bolsonaro e culpa sua retórica pelos recentes ataques violentos que vêm ocorrendo no País. O conjunto desses perfis, porém, gera menos reações que as duas bases de apoio: 23,4% das interações. Por último há um grupo de 10,2% dos perfis que é claramente contrário ao PT e que corresponde a 4,2% do conteúdo.

Urnas eletrônicas, violência e Lula: as principais referências na rede

As principais publicações relacionadas a Bolsonaro se dividem entre queixas e comemorações ao volume de votos recebidos pelo candidato no primeiro turno, diz a FGV. Entre os apoiadores, há referências a supostas fraudes em urnas eletrônicas. Por outro lado, mensagens críticas sugerem que o presidenciável incitaria a violência.

No círculo de mensagens sobre Haddad, o petista é questionado por sua relação com Lula, em tuítes majoritariamente negativos. Menções positivas apontam para sua atuação na Prefeitura de São Paulo e para a disposição do candidato em participar de debates na Televisão.

No Facebook, Bolsonaro tem o maior número de seguidores. Na quarta-feira, 10, ele tinha 7,38 milhões de pessoas que o acompanhavam na rede social, enquanto Haddad contava com 1,18 milhão. Nos últimos sete dias, o petista ganhou cerca de 524 mil seguidores, mas Bolsonaro, por sua vez, ganhou 581 mil novas curtidas em sua página.

Resultado do primeiro turno motiva debate econômico

O resultado do primeiro turno das eleições motivou o debate econômico nas redes sociais, diz a FGV. O foco das discussões é o programa Bolsa Família, chave da disputa de votos no Nordeste - região que ainda manifesta apoio majoritário a Haddad, mas onde Bolsonaro tem avançado em capitais.

Por um lado, internautas criticam o candidato do PSL por destacar fraudes no benefício e sugerir a criação de um décimo terceiro para o programa. "Vários perfis associaram a mudança de posição a uma possível estratégia para atrair votos na região Nordeste, onde o candidato teve um desempenho pouco expressivo no primeiro turno", diz o balanço do monitoramento.

Outro assunto que mobilizou fortemente as redes sociais, de acordo com a instituição, foi a reação do mercado financeiro ao cenário eleitoral. "A discussão aborda especialmente a mudança de reação do mercado, que foi positiva imediatamente após o resultado do primeiro turno, e negativa depois que Bolsonaro falou sobre a possibilidade de limitar privatizações na área energética e levantou dúvidas sobre a Reforma da Previdência, criando embates internos com o seu coordenador econômico, Paulo Guedes."

O programa econômico do PSL foi vinculado à agenda do governo Michel Temer, enquanto as propostas de Haddad foram relacionadas com o combate a desigualdades, aponta o levantamento.

* A Diretoria de Análise de Políticas Públicas (Dapp) da Fundação Getulio Vargas (FGV) produz semanalmente relatório sobre o comportamento das redes sociais com ênfase em temas do cenário político envolvendo os potenciais candidatos à Presidência da República em primeira mão para o Broadcast Político.

Estadão Conteúdo

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