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Criticado em protestos, chefe da Tropa de Choque da PM-SP é substituído

9 ago 2013
05h00
atualizado às 05h01
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O governo de Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo, trocou o comando da Tropa de Choque da Polícia Militar, quase dois meses depois da atuação da corporação nos protestos realizados em junho na capital paulista. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, o coronel César Augusto Morelli foi demitido nesta semana do cargo que ocupava havia quase dois anos; para o seu cargo, o coronel Carlos Celso Savioli, que estava no comando da PM na Baixada Santista, foi o escolhido.

Segundo o periódico, a troca aconteceu principalmente por três razões: à ação nos protestos de junho, tanto pela forma violenta de repressão aos manifestantes quanto pela demora em agir no episódio da tentativa de invasão à sede da prefeitura; proximidade de Morelli com Antonio Ferreira Pinto, antecessor de Fernando Grella Vieira na Secretaria da Segurança Pública; e finalmente ao envio de equipes sob o seu comando para ações no interior do Estado sem aviso ao secretário. De acordo com oficiais ouvidos pela Folha, a troca não foi feita antes porque a PM não costuma substituir comandantes em meio a crises. Questionado, Grella disse que a mudança foi administrativa. A Polícia Militar, por sua vez, afirmou que a demissão se trata de um "processo natural de gestão e renovação na instituição".

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra
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