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PF conclui que houve obstrução na investigação do caso Marielle

23 mai 2019
15h56
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Polícia Federal conclui inquérito para investigar conduta de policiais nas apurações da morte da vereadora. Relatório de 600 páginas acusa policial militar de falso testemunho visando atrapalhar as investigações.A Polícia Federal (PF) concluiu que houve obstrução na investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol) e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018 no Rio de Janeiro, informou a imprensa brasileira nesta quinta-feira (23/05).

Assassinato de Marielle Franco e de seu motorista, em março de 2018, gerou comoção no país e mundo afora
Assassinato de Marielle Franco e de seu motorista, em março de 2018, gerou comoção no país e mundo afora
Foto: DW / Deutsche Welle

A conclusão faz parte de um inquérito conduzido pela PF para apurar a atuação de policiais na investigação das mortes. O relatório do inquérito foi encaminhado ao Grupo de Atuação Especial no Combate a Organizações Criminosas (Gaeco) e está agora sob análise da procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

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A investigação da PF, conduzida pelo delegado federal Leandro Almada, concluiu que um policial militar - Rodrigo Jorge Ferreira, conhecido como Ferreirinha - agiu para obstruir os trabalhos da polícia durante a apuração do caso Marielle.

Segundo o jornal O Globo, o relatório afirma que Ferreira e a advogada dele, Camila Nogueira, integram uma organização criminosa com o objetivo de atrapalhar as investigações sobre a morte da vereadora e do motorista.

O policial militar procurou a PF em maio do ano passado e contou uma história inverídica com a intenção de confundir as autoridades. Ele dissera que o miliciano Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como Orlando Curicica, estaria interessado na morte de Marielle. Curicica sempre negou envolvimento.

O miliciano é um ex-aliado de Ferreira. Ambos dividiam a milícia das favelas da Curicica, em Jacarepaguá, e do Terreirão, no Recreio, na zona oeste do Rio.

A Polícia Federal entendeu que o policial militar, após o rompimento com Curicica, criou essa história para comprometer o ex-aliado, pois temia ser morto por ele e tinha interesse em assumir a área dominada pelo miliciano.

Ferreira foi considerado por muito tempo a principal testemunha do caso Marielle. Segundo o portal G1, ele chegou a afirmar em delação que Curicica e o vereador Marcello Siciliano (PHS) seriam os mandantes da morte, porque estariam incomodados com o avanço das ações comunitárias da vereadora na zona oeste do Rio. O parlamentar também nega envolvimento.

Em depoimento à PF, a advogada de Ferreira afirmou que desconfiava da versão contada por seu cliente e que se sentiu usada por ele, segundo informações da TV Globo.

Além de Ferreira e de Camila Nogueira, a Polícia Federal também investigou três delegados da PF - entre eles Felício Laterça, atual deputado federal do PSL - que apresentaram o policial militar como testemunha para ser ouvido na Polícia Civil, bem como alguns policiais civis, mas não apontou nada contra eles em seu relatório.

Marielle, de 38 anos, e Anderson, de 39, foram assassinados em 14 de março de 2018 no bairro do Estácio, região central do Rio, quando saíam de um evento no qual a vereadora palestrou. O carro foi alvejado por vários disparos, dos quais quatro atingiram a cabeça dela.

Em março deste ano, a polícia prendeu dois ex-policiais suspeitos de participar do assassinato: Ronnie Lessa, de 48 anos, teria disparado os tiros do banco de trás do carro usado no crime, e Élcio Vieira de Queiroz, de 46, seria o motorista do veículo. Os investigadores ainda não revelaram, contudo, quem foi o mandante da execução.

Os dois suspeitos são ligados ao grupo conhecido como Escritório do Crime, formado por policiais e ex-policiais altamente especializados em execuções por encomenda.

Após indícios de irregularidades nas investigações, a procuradora-geral da República pediu à Polícia Federal no ano passado que apurasse a atuação de agentes da PF e da Polícia Civil no caso. Esse foi o inquérito concluído agora, resultando num relatório de 600 páginas.

Segundo a investigação da PF, Ferreira pode ser preso por falso testemunho. Cabe agora ao Ministério Público do Rio (MP-RJ) apresentar ou não uma denúncia contra o policial militar.

EK/ots

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