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O Brasil na imprensa alemã (14/11)

14 nov 2018
16h24
atualizado às 16h47
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Aceleração de negociações para acordo entre UE e Mercosul antes da posse de Jair Bolsonaro foi destaque da semana em veículos alemães. Biografia de Sócrates em inglês e sua militância contra ditadura também foi tema.Frankfurter Allgemeine Zeitung - Livre comércio com a América do Sul ao alcance das mãos, 13/11/2018

Defesa da liberdade de pensamento pelo meia Sócrates durante ditadura militar mereceu homenagem de jornal alemão
Defesa da liberdade de pensamento pelo meia Sócrates durante ditadura militar mereceu homenagem de jornal alemão
Foto: DW / Deutsche Welle

O lema é "agora ou nunca". Dos dois lados do Atlântico, há esforços frenéticos para finalizar, ainda este ano e antes do início do novo governo no Brasil, o há muito discutido acordo de associação entre a União Europeia e a aliança sul-americana Mercosul. Otimistas esperam que, durante a cúpula das 20 maiores economias e emergentes do mundo (G20) em Buenos Aires, no final do mês, possa haver o anúncio de um arremate preliminar das negociações.

Jair Bolsonaro não tem pressa. O populista de direita, que vai assumir o mandato presidencial em 1o de janeiro, ainda não declarou de forma decisiva sua posição sobre o acordo planejado. O futuro ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, disse logo após a eleição que prefere uma abertura veloz da economia brasileira com o maior número possível de acordos comerciais bilaterais, a exemplo do Chile e do México. O Mercosul, que além do Brasil é integrado por Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela (suspensa), não seria "prioridade" para o novo governo.

Na Comissão Europeia, há cautela sobre um acordo rápido. Se não houver termo agora, as articulações continuarão, diz a Comissão em tom lapidar.

Não é só no Brasil que há interesse em fechar mais pactos bilaterais. Também na Argentina, há quem apoie uma flexibilização da união aduaneira Mercosul, que permitiria aos países-membros fazer exatamente isso - ao contrário do que acontece hoje em dia.

Com a UE, isso não seria possível sem mais nem menos. O mandato de negociação da Comissão Europeia inclui exclusivamente um acordo com o Mercosul como um todo. Se, de repente, os sul-americanos quiserem negociar individualmente, a Comissão teria de pedir um novo mandato junto ao Parlamento Europeu e aos países-membros do bloco. O novo governo brasileiro não vai querer esperar por isso, especialmente porque, após as legislativas europeias em maio de 2019, a maioria favorável às negociações com a América do Sul poderia ser perdida. Mas uma proposta de compromisso excluindo alguns temas poderia dar margem para negociações posteriores ao governo brasileiro.

Der Tagesspiegel - Opinião: Sem acordos incondicionais com racistas, 08/11/2018

Até agora, o acordo com o Mercosul corresponde ao modelo clássico da Comissão Europeia para pactos comerciais: estabelece simplesmente a liberalização para a economia, mas poucas regras para a proteção do meio ambiente, dos direitos humanos e dos consumidores. Depois da eleição de Jair Bolsonaro a presidente do Brasil, para nós é inconcebível continuar nesse mesmo curso.

Especialmente agora, a UE poderia apoiar e proteger a população civil brasileira se repensasse sua política comercial e fizesse da imposição dos direitos humanos, dos direitos dos trabalhadores e da proteção ambiental a condição de seus acordos comerciais.

Em muitos pactos comerciais europeus, há cláusulas de direitos humanos. Com elas, a UE pode aumentar a pressão no caso de graves violações dos direitos humanos no país parceiro e retirar benefícios comerciais como taxas alfandegárias mais baixas.

Por outro lado, a UE mal fez uso dessas cláusulas até agora. Isso precisa mudar. Se o novo governo do Brasil violar os direitos de homossexuais, opositores políticos ou minorias étnicas, a UE deverá suspender partes ou a totalidade do acordo.

Diferentemente de outros pactos comerciais, regras para a proteção ambiental ou dos direitos dos trabalhadores devem ser vinculativas e sancionáveis. Se Bolsonaro realmente se despedir do Acordo de Paris sobre o clima ou permitir mais desmatamento na Amazônia, isso deverá ter consequências para as relações comerciais com a Europa.

Na nossa visão, chegou a hora de finalmente usar a política comercial europeia como aquilo que ela poderia ser: como instrumento para fazer do mundo um lugar um pouco mais justo. Continuar negociando o acordo UE-Mercosul com esse presidente brasileiro como vem sendo feito até agora é o caminho errado.

Süddeutsche Zeitung - Liberdade de pensamento, 13/11/2018

Só seu nome já soa como um monumento: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira.

A biografia Doctor Sócrates: Footballer, Philosopher, Legend, do jornalista da agência Reuters Andrew Downie, descreve o jogador que concluiu também os estudos de medicina, com ênfase em pediatria. E faz um retrato do revolucionário Sócrates, filho de uma família de classe média; dois de seus irmãos se chamavam Sóstenes e Sófocles.

O homem de orientação hedonista era, ao mesmo tempo, um defensor aguerrido da liberdade de pensamento num país que ainda não era livre. O Brasil era uma ditadura militar quando, em 1982, Sócrates desenvolveu um sistema de participação decisória no seu clube, o Corinthians. Goleiro, gandula, diretor: todos podiam decidir o que faria parte do cardápio, a que horas seria o treino no dia antes do jogo e que transferências faziam sentido.

Sócrates morreu em 2011, aos 57 anos. Ele tomou a liberdade de arruinar seu corpo cedo. Desde então, faz falta ao seu país. A biografia fala de um futebolista que tinha a força de desestabilizar a ditadura militar. Era muito diferente de hoje, quando o ex-capitão de extrema direita Jair Bolsonaro foi eleito presidente, um antidemocrata que coloca a liderança severa e militar no lugar de liberdade e pensamentos - e é apoiado por heróis do futebol como Ronaldinho, Rivaldo e outros.

O futebol, assim como mostrou a Copa do Mundo este ano na Rússia, corre o risco de se tornar instrumento do totalitarismo. E, assim, a biografia do maravilhoso Sócrates se lê como o posfácio de outros tempos, de um futebol menos temeroso e de um Brasil mais feliz.

RK/ots

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