0

Lula sem vice; Alckmin, Marina, Álvaro Dias e Amoêdo confirmados: o 'super sábado' das convenções

Cinco pré-candidatos foram confirmados por seus partidos ao longo do dia; e outras três legendas anunciaram apoios. Preso em Curitiba (PR), o ex-presidente Lula (PT) interditou as discussões sobre a vice.

4 ago 2018
23h04
  • separator
  • comentários

A política brasileira foi movimentada ao longo do dia de hoje por um super sábado de convenções partidárias. Cinco pré-candidatos presidenciais foram confirmados por seus partidos, e outras três siglas definiram quem apoiarão na disputa deste ano.

Ao todo, 12 partidos realizarão suas convenções neste fim de semana
Ao todo, 12 partidos realizarão suas convenções neste fim de semana
Foto: smartboy10 / Getty Images / BBC News Brasil

Em São Paulo, o PT confirmou o ex-presidente Lula como seu candidato presidencial - mesmo preso em Curitiba, Lula interditou o debate sobre seu companheiro ou companheira de chapa. Em Brasília, Marina Silva foi aclamada candidata da Rede Sustentabilidade, e Geraldo Alckmin tornou-se o candidato oficial do PSDB à Presidência.

Na parte de baixo das pesquisas de intenção de voto, Álvaro Dias foi ungido candidato presidencial do Podemos (antigo PTN); e o liberal João Amoêdo oficializou-se candidato pelo Partido Novo.

O tucano Geraldo Alckmin também recebeu o apoio formal de mais dois partidos neste sábado: o PR (legenda com 34 deputados federais eleitos em 2014) e o PPS (10 deputados eleitos). O Partido Humanista da Solidariedade (PHS), que elegeu 5 deputados em 2014, oficializou o apoio a Henrique Meirelles (MDB) - e ele próprio participou do evento na sede da sigla, também em Brasília.

Mais cinco partidos devem realizar seus eventos neste domingo, que encerrará a temporada de convenções deste ano. A decisão mais esperada é a do PSB - fundamental tanto para os planos do PT quanto de Ciro Gomes.

Abaixo, um resumo dos fatos mais importantes deste sábado.

Para compensar a ausência física de Lula, o PT criou um evento totalmente voltado à figura do ex-presidente
Para compensar a ausência física de Lula, o PT criou um evento totalmente voltado à figura do ex-presidente
Foto: PAULO PINTO / FOTOSPUBLICAS / BBC News Brasil

Lula (PT)

A convenção do PT ocorreu na Casa de Portugal, um espaço de eventos no bairro da Liberdade, em São Paulo. Sem seu principal líder presente, o partido recorreu a máscaras de Lula distribuídas aos militantes com o rosto de Lula - além de uma profusão de camisetas, botons e bandeiras com a imagem do ex-presidente. Mesmo preso em Curitiba desde o dia 7 de abril deste ano - e virtualmente impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa - Lula foi aclamado como candidato pelos cerca de 600 votantes da convenção.

Marcada de início para às 9h30, a cerimônia do PT atrasou cerca de uma hora e meia: antes da convenção, foi realizada uma reunião da Comissão Executiva Nacional do partido, na qual o principal assunto era a discussão sobre quem será o candidato ou candidata à vice-presidência na chapa de Lula. Há quem defenda que a vaga seja oferecida a Manuela D'Ávila (candidata presidencial do PC do B). Outra corrente de opinião prefere a atual presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PR) como vice de Lula. Não há decisão até o momento.

Durante a manhã, integrantes da Comissão receberam ligações de dirigentes do PC do B, que desejavam que o PT anunciasse Manuela D'Ávila como vice de Lula já na convenção deste sábado.

Outro ponto em disputa é a data na qual o vice será anunciado: uma parte da equipe jurídica de Lula deseja fazer o anúncio nesta segunda-feira (6), data indicada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como limite para a apresentação das chapas e das coligações. Outra corrente acredita que é possível adiar a decisão até 15 de agosto, data final para a inscrição das chapas no TSE - e que foi observada em eleições passadas.

A cúpula petista está em compasso de espera, aguardando Lula. Da esq. para a dir: Lindbergh, Haddad, Paulo Pimenta e Gleisi Hoffmann
A cúpula petista está em compasso de espera, aguardando Lula. Da esq. para a dir: Lindbergh, Haddad, Paulo Pimenta e Gleisi Hoffmann
Foto: Ricardo Stuckert / divulgação / BBC News Brasil

Lula enviou uma carta à convenção, que foi lida pelo ator Sergio Mamberti - o mestre de cerimônias do evento. "Esta é a primeira vez em 38 anos que não participo pessoalmente de um encontro nacional do nosso partido", começa a missiva.

"Já derrubaram uma presidenta eleita; agora querem vetar o direito do povo escolher livremente o próximo presidente. Querem inventar uma democracia sem povo", continua Lula, referindo-se ao impeachment de Dilma em 2016. "A decisão de hoje vai nos conduzir a uma luta sem tréguas pela democracia, pelo povo brasileiro e pelo Brasil. E a vitória dependerá do empenho de cada um de nós", diz o texto.

Apesar do clima de unidade em torno da figura de Lula, alguns militantes da juventude do partido puxaram palavras de ordem para questionar decisões recentes da cúpula petista - principalmente o acordo desta semana com o PSB, que resultou na retirada da candidatura de Marília Arraes (PT) ao governo de Pernambuco. Alguns empunhavam cartazes com o nome de Marília, hoje vereadora em Recife.

Esta será a terceira vez que Marina Silva disputa a corrida presidencial - mas terá estrutura e tempo de TV menor desta vez
Esta será a terceira vez que Marina Silva disputa a corrida presidencial - mas terá estrutura e tempo de TV menor desta vez
Foto: Fabio Pozzebom / Agência Brasil / BBC News Brasil

Marina Silva (Rede)

Ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente (2003-2008) no governo Lula, Marina Silva foi aclamada candidata no evento da Rede Sustentabilidade - partido nascido oficialmente em 2015. Esta será a terceira vez que Marina disputa a presidência da República. Desta vez, Marina terá como companheiro de chapa o médico sanitarista Eduardo Jorge, filiado ao PV - partido que estará coligado com a Rede na disputa deste ano.

O evento ocorreu num antigo parque aquático e hotel de Brasília, a poucos quilômetros do Palácio da Alvorada, que é a moradia oficial dos presidentes da República.

Marina Silva discursou por cerca de uma hora. Comentando a fragilidade de sua aliança para a disputa presidencial, disse ser especialista em passar por "frestas" - citou o fato de só ter sido alfabetizada aos 16 anos de idade, e de ter sobrevivido a doenças como a hepatite. "A postura (pessoal) vai derrotar o mecanismo, as estruturas. O povo brasileiro não vai ser submetido aos 'centrões' de esquerda, de direita, de centro. Quem está no centro é o povo brasileiro!", disse, exaltada.

Geraldo Alckmin (PSDB) aproveitou seu discurso para atacar tanto Bolsonaro (PSL) quanto o PT
Geraldo Alckmin (PSDB) aproveitou seu discurso para atacar tanto Bolsonaro (PSL) quanto o PT
Foto: José Cruz / BBC News Brasil

Geraldo Alckmin (PSDB)

Geraldo Alckmin, 65 anos, foi escolhido para ser o candidato do PSDB à presidência da República num evento neste sábado, em Brasília. Alckmin terá como vice a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS), cujo partido faz parte da mega-aliança de oito legendas que o apoiam. Além do PP de Ana Amélia, o tucano terá o apoio de DEM, PR, PRB, PSD, PTB, PPS e SD. Além da convenção do PSDB, Alckmin também fez passagens ontem pelos eventos de outros dois partidos de sua coligação: o PR e o PPS.

"Um governo de qualidade requer espírito público, coesão. Requer alianças, para poder fazer o melhor", discursou Alckmin no evento do PSDB. "Nós vamos mudar o Brasil, não com bravatas (...), com gritaria e tumulto - aliás foram exatamente as bravatas e os radicalismos que criaram a criaram a coincidência trágica que o governo petista nos deixou: 13 milhões de desempregados", disse ele, referindo-se ao código eleitoral do PT. Dos 290 votos da convenção, Alckmin teve 288: recebeu também uma abstenção e um voto contrário.

O ex-governador tucano de São Paulo começou a trilhar o caminho até sua candidatura presidencial em novembro passado. Naquele mês, conseguiu que o senador Tasso Jereissati (CE) desistisse de concorrer à presidência do PSDB - cargo que Alckmin conquistou em dezembro passado. E em março deste ano, o paulista de Pindamonhangaba não teve concorrente nas prévias do PSDB. Seu rival, o senador Arthur Virgílio (AM), retirou a candidatura antes da disputa. Esta é a segunda vez que Alckmin concorre à Presidência: em 2006, ele foi derrotado por Lula (PT), no segundo turno da disputa.

Álvaro Dias (Podemos) conseguiu construir em torno de si uma aliança de partidos pequenos
Álvaro Dias (Podemos) conseguiu construir em torno de si uma aliança de partidos pequenos
Foto: André Carvalho / CNI / BBC News Brasil

Álvaro Dias (Podemos)

O Paraná é o berço político do candidato Álvaro Dias, e foi na capital Curitiba que o Podemos realizou sua convenção nacional neste sábado. O evento também oficializou o nome do ex-presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro (PSC), como candidato à vice-presidência. Castro chegou a ser pré-candidato à presidência pelo PSC, mas retirou seu nome para apoiar Alckmin na última quarta-feira. Álvaro Dias também terá o apoio de PRP e do PTC, partido do ex-presidente Fernando Collor (hoje senador por Alagoas).

Paulista de Quatá, Álvaro Dias fez carreira política no Paraná e está em seu sétimo partido político - já passou duas vezes pelo PSDB (de 1994 a 2001 e de 2003 a 2016), e pelo antigo MDB (1968-1989). Reeleito senador pela terceira vez consecutiva em 2014, Álvaro Dias voltará à Casa Alta caso seja derrotado na disputa presidencial.

João Amoêdo se lançará com um chapa 'puro-sangue': seu candidato a vice também é do Novo
João Amoêdo se lançará com um chapa 'puro-sangue': seu candidato a vice também é do Novo
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil / BBC News Brasil

João Amoêdo (Novo)

João Amoêdo foi lançado candidato por seu Partido Novo num evento em São Paulo, na tarde deste sábado. O evento ocorreu na Câmara de Comércio Americana (Amcham), na zona Sul da cidade. Ex-executivo de instituições financeiras, Amoêdo terá por vice o cientista político Christian Lohbauer, também filiado ao Novo.

Por enquanto sem alianças com outros partidos, o Novo se propõe a apresentar candidaturas ideologicamente identificadas com o liberalismo econômico. Em seu primeiro discurso como candidato, Amoêdo diz que o objetivo de sua sigla é "mudar o sistema (político)" do país. "Quando a gente começou, o que eu queria era ir para o setor público para tentar dar uma ajuda, Mas felizmente eu entendi que o sistema que está lá não foi feito para facilitar a vida do brasileiro. A missão era outra", disse Amoêdo.

BBC News Brasil BBC News Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC News Brasil.

compartilhe

comente

  • comentários
publicidade