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Governo Bolsonaro terá superministério da Economia

30 out 2018
21h51
atualizado às 21h58
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Equipe do presidente eleito anuncia fusão entre Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio Exterior, sob comando de Paulo Guedes. Agricultura e Meio Ambiente também formarão uma única pasta. Críticos rechaçam medidas.O governo de Jair Bolsonaro (PSL) vai contar com um superministério da Economia, formado pela junção das pastas da Fazenda, do Planejamento e da Indústria e Comércio Exterior. Outra fusão será entre Agricultura e Meio Ambiente, que também formarão um único ministério.

A decisão foi anunciada nesta terça-feira (30/10) pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), apontado como futuro ministro da Casa Civil, e pelo economista Paulo Guedes, que comandará a Economia, após a primeira reunião entre Bolsonaro e aliados para tratar da transição de governo.

A ideia de fundir Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio Exterior numa só pasta já constava no plano de governo de Bolsonaro, mas, dias antes do segundo turno, ele havia voltado atrás e sugerido que manteria a Indústria separada, em meio à pressão de setores industriais.

Nesta terça, contudo, Guedes informou que o plano inicial foi retomado. "O Ministério da Indústria e Comércio já está com a Economia", disse ele em entrevista coletiva após a reunião, realizada na casa do empresário Paulo Marinho, no Rio de Janeiro.

"A razão [...] é para justamente existir uma mesma orientação econômica em tudo isso. Não adianta a turma da Receita ir baixando os impostos devagar se a turma da Indústria e Comércio abrir muito rápido. Tudo tem que ser sincronizado, com orientação única", argumentou.

Guedes prometeu ainda "salvar a indústria brasileira". "Está havendo uma desindustrialização há mais de 30 anos. Nós vamos salvar a indústria brasileira, apesar dos industriais brasileiros", afirmou o futuro ministro da Economia.

Também houve dúvidas sobre a junção dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente. Alvo de críticas de ambientalistas, a fusão estava nos planos iniciais de Bolsonaro, mas, durante a campanha, ele disse que poderia manter as pastas separadas, dado "um ruído nessa área". "Eu quero o que seja melhor para o campo e para o meio ambiente", afirmou na ocasião.

Nesta terça-feira, Lorenzoni negou que o presidente eleito tenha mudado de ideia. "Ninguém recuou nada. A questão da agricultura, alimentação e meio ambiente é uma decisão desde os primeiros passos do plano de governo", disse o futuro ministro.

O anúncio foi imediatamente criticado no Twitter pela ambientalista e candidata da Rede à Presidência nestas eleições, Marina Silva, que foi ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008, no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

"A decisão de fundir o Ministério do Meio Ambiente ao da Agricultura será um triplo desastre. Estamos inaugurando o tempo trágico da proteção ambiental igual a nada. Nem bem começou o governo Bolsonaro e o retrocesso anunciado é incalculável", escreveu.

Coordenador do governo de transição, Lorenzoni disse que o presidente eleito pretende reduzir quase à metade o número de ministérios, que passarão de 29 para 15 ou 16 - ele afirmou que ainda há indefinição sobre uma das pastas, mas não quis especificar qual é.

EK/abr/ots

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