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Figueiredo e Patriota cobram respeito à hierarquia no Itamaraty

Eles se referiram indiretamente à crise causada pela iniciativa de um diplomata que trouxe ao País o senador boliviano Roger Pinto Molina

28 ago 2013
16h57
atualizado às 17h10
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Antonio Patriota (E) transmitiu o cargo de ministro das Relações Exteriores a Luiz Alberto Figueiredo Machado (D)
Antonio Patriota (E) transmitiu o cargo de ministro das Relações Exteriores a Luiz Alberto Figueiredo Machado (D)
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Ao transmitir o cargo para o novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, o ex-chanceler Antonio Patriota reiterou nesta quarta-feira a necessidade de se respeitar a hierarquia e as cadeias de comando. Sem mencionar nomes, Patriota se referiu indiretamente à crise provocada pela iniciativa de um diplomata em trazer para o Brasil o senador boliviano Roger Pinto Molina.

"É imprescindível o respeito à hierarquia e às cadeias de comando. Sem isso, correríamos os riscos de desencadear processos de consequências imprevisíveis, capazes de acarretar prejuízos à nossa coesão, nossa credibilidade, nossa capacidade de ação e habilidade para exercer influência e solucionar questões, até mesmo aquelas com componente humanitário e de proteção dos direitos humanos", disse o ex-chanceler, com a voz embargada.

Figueiredo seguiu na mesma linha e afirmou que "a hierarquia não exclui o debate de ideias. Queremos um Itamaraty arejado e aberto a novos conceitos, mas o debate de ideias não substitui a obediência à institucionalidade".

Patriota defendeu o aperfeiçoamento das práticas administrativas da pasta. Ele ressaltou que o Brasil se orgulha de manter relações maduras e fundamentadas no respeito mútuo. Segundo ele, há uma atuação que se sustenta no diálogo o que "assegura à política externa (brasileira) autoridade e legitimidade".

A substituição de Patriota por Figueiredo foi provocada pela decisão do encarregado de negócios do Brasil na Bolívia (o equivalente a embaixador temporário), Eduardo Saboia, de coordenar a retirada de Pinto Molina da embaixada, onde ficou por quase 15 meses, aguardando autorização para deixar o país.

Para investigar sua atuação, foi instaurada uma comissão de sindicância, que se reuniu, pela primeira vez, ontem. O objetivo da comissão é analisar a iniciativa de Saboia. Ao explicar sua decisão, Saboia criticou a falta de ação do grupo de trabalho, do qual fazia parte o embaixador Baena Soares, que pediu para ser retirado do grupo.

Saboia disse que não se manifestará publicamente sobre o assunto até que a comissão conclua a sindicância. Porém, antes, ele disse ter tomado a iniciativa porque o quadro se agravava com o fato de o senador boliviano estar deprimido e indicar que pretendia se suicidar. O diplomata disse que tomou uma decisão por razões humanitárias.

Ele pode ser alvo de punição que pode ir de uma advertência oral, passando por uma escrita, suspensão temporária e até exoneração. Com mais de 20 anos de carreira, o diplomata é elogiado por superiores e colegas como um profissional sério, dedicado e disciplinado. Nos últimos meses, ele se queixava da tensão causada pela indefinição do caso Molina.

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Agência Brasil Agência Brasil
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