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Deputado da "tropa de choque" de Temer comandará CPI da JBS

12 set 2017
14h04
atualizado às 14h13
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O deputado Carlos Marun (PMDB-MS), membro da chamada tropa de choque do presidente Michel Temer na Câmara, foi escolhido nesta terça-feira relator da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigará as operações da J&F, holding que controla a JBS, com o BNDES e o acordo de delação premiada firmado por executivos da companhia.

Deputado Carlos Marun, relator da CPI da JBS 17/04/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
Deputado Carlos Marun, relator da CPI da JBS 17/04/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

Marun disse a jornalistas em Brasília que recebeu o convite para relatar a CPI do presidente da comissão, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), e aceitou. O deputado afirmou que começará os trabalhos já na tarde desta terça e, mesmo reconhecendo ter relação "estreita" com o governo, prometeu atuar com independência.

"Nós vamos buscar a verdade. Nós não estamos aqui para proteger ninguém. Obviamente que se existe algum procurador que neste processo JBS tenha agido com ilicitude, nós vamos tentar descobrir a verdade", disse Marun a jornalistas.

"Não desejo a espetacularização da CPI, não quero a transformação da CPI em palanque eleitoral", acrescentou.

A delação premiada de executivos da J&F, entre eles Joesley Batista, um dos controladores, e Ricardo Saud, que atuou como diretor da holding, embasaram uma denúncia por corrupção passiva do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer.

No mês passado, a Câmara dos Deputados rejeitou autorizar o Supremo Tribunal Federal (STF) a analisar a denúncia contra o presidente, e Marun foi um dos principais membros da tropa de choque governista que atuaram para que a acusação não prosperasse.

Desde então, em meio à expectativa de que Janot ofereça nova denúncia contra o presidentes antes do fim de seu mandato à frente da PGR, que se encerra no domingo, as contestações à delação dos executivos da J&F ganharam força e, no fim de semana, Joesley e Saud foram presos por determinação do Supremo Tribunal Federal por conta de um áudio em que eles apontariam crimes que não foram relatados aos procuradores em seu processo de delação.

Entre esses crimes estaria a atuação junto aos empresários do ex-procurador Marcelo Miller, que teria orientado os delatores quando ainda atuava no Ministério Público Federal.

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