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Comunidade quilombola em SP é testada para Covid-19 em meio a avanço da pandemia

30 jul 2020
18h35
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Agrupados em fila e usando máscaras, moradores da comunidade quilombola Peropava, em Registro (SP), se organizaram nesta quarta-feira para passar pela primeira bateria de testes rápidos de Covid-19 na localidade.

Testes de Covid-19 na comunidade quilombola Peropava, em Registro (SP) 
29/07/2020
REUTERS/Amanda Perobelli
Testes de Covid-19 na comunidade quilombola Peropava, em Registro (SP) 29/07/2020 REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Reuters

Em um momento em que a pandemia do coronavírus se alastra pelo Brasil, avançando pelo interior e afetando mais de 98% dos municípios do país, a chegada da doença à comunidade surpreendeu os quilombolas e abriu os olhos de autoridades locais.

"É uma coisa difícil, viu? A gente não pensava que iria chegar nesse ponto aqui, que é um lugar bem isolado. Mas infelizmente chegou", disse Valdir Cabral, diagnosticado com a doença.

No ambiente no qual se destacam a mata do entorno e os vários cachorros, galinhas e porcos no quintal de uma casa simples, ele descansa em uma pequena cama de solteiro no aguardo da recuperação total, ajudado pela família.

"Graças a Deus, quem pegou fui só eu", acrescentou Cabral, cujo caso pode ter sido inédito no local, mas soa mais um alarme às populações vulneráveis que o Instituto Butantan, ligado ao governo estadual paulista, se propôs a testar.

Depois de realizar exames em cerca de 1.200 indígenas, a ação desta quarta-feira foi a primeira com quilombolas.

A fila organizada em um grande espaço aberto na comunidade Peropava, onde vivem cerca de 30 famílias, tinha pessoas de todas as idades que, surpreendidas pela pandemia, tentam lidar com a situação e cumprir as orientações sanitárias -- embora o distanciamento social não seja 100% respeitado.

Os testes realizados foram sorológicos do tipo IgM/IgG, que indicam se a pessoa já esteve em contato com o coronavírus. Eles possuem resultado rápido, mas não necessariamente indicam a infecção -- para pessoas com sintomas, a orientação é realizar testes moleculares RT-PCR.

O Instituto Butantan não revelou os resultados dos 120 exames realizados em Registro, mas afirmou que o objetivo dos testes rápidos é detectar os grupos que tiveram contato com a doença e realizar medidas para prevenir a disseminação nas áreas com populações vulneráveis.

"Nós estamos num outro momento da epidemia... Resolvido um problema, agora nós temos que atuar, mesmo, na velocidade de contaminação, na taxa de contaminação", disse o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

"E daí a necessidade de reforçar as atividades com as regiões mais carentes, as periferias das grandes cidades, os menores municípios, no sentido de que eles façam o entendimento do que é que está em jogo e façam uma adesão grande às medidas de combate", acrescentou.

Segundo a Secretaria da Saúde de Registro, cidade com cerca de 56 mil habitantes no Vale do Ribeira, 824 casos de Covid-19 foram confirmados no município, com 14 óbitos registrados.

No Brasil, já são quase 2,6 milhões de infectados e mais de 90 mil mortes.

(Edição de Pedro Fonseca)

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