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Com decisão do STF, Aécio se torna réu por corrupção passiva e obstrução de justiça

Denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) com base em delações de executivos do grupo J&F. Em um áudio com Joesley Batista, Aécio pede R$ 2 milhões.

17 abr 2018
20h00
atualizado em 18/4/2018 às 08h33
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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou nesta terça-feira denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), tornando-o réu sob as acusações de corrupção passiva e obstrução de justiça.

Foto: BBC News Brasil

Na acusação do primeiro delito, a denúncia foi aceita por unanimidade entre os ministros da turma: Marco Aurélio, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e Roberto Barroso. Sobre a acusação de obstrução de justiça, apenas Alexandre de Moraes votou contra receber a denúncia.

Também alvos na denúncia, a irmã do senador, Andrea Neves da Cunha, o primo dele, Frederico Pacheco de Medeiros, e Mendherson Souza Lima também se tornaram reús após a decisão dos ministros.

A denúncia, apresentada pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot em junho de 2017, tem como base delações premiadas de executivos do grupo J&F. Entre o material apresentado pelos delatores, consta uma gravação em que o tucano pede R$ 2 milhões em dinheiro vivo ao empresário Joesley Batista. A defesa de Aécio diz que a negociação se referia à venda de um imóvel da família Neves a Joesley.

Mas, para a PGR, a conversa é uma das evidências de que o dinheiro seria propina em troca de uma atuação parlamentar favorável à JBS.

O relator da matéria na Primeira Turma do STF, Marco Aurélio, afirmou que "há indicativos de solicitação e percepção de vantagem indevida pelo detentor de mandato eletivo, com o auxílio da irmã, de Frederico Medeiros e Mendherson Souza Lima".

Em nota, Aécio Neves afirmou ter recebido "com serenidade" a decisão da corte e acusou as delações que geraram a denúncia como "uma ardilosa armação de criminosos confessos, aliados a membros do Ministério Público".

"Minha prioridade será apresentar à Justiça todos os fatos que demonstram a absoluta correção dos meus atos e de meus familiares. Não tenho dúvida de que isso será demonstrado", afirmou o senador, no comunicado.

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