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Clima de euforia com reforma da Previdência regride e votação segue indefinida

7 dez 2017
17h22
atualizado às 18h43
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O clima de otimismo que empolgou lideranças governistas perdeu força nesta quinta-feira, quando até mesmo defensores mais apegados à reforma da Previdência admitiam o recuo de expectativas, e a data de votação da proposta segue indefinida.

Vista geral do plenário da Câmara dos Deputados
 25/9/2017    REUTERS/Ueslei Marcelino
Vista geral do plenário da Câmara dos Deputados 25/9/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

Quase que diariamente, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), avisa que só colocará a medida na pauta quando ela contar com os votos necessários --por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), precisa dos votos favoráveis de ao menos 308 dos 513 deputados em dois turnos de votação para ser aprovada na Casa. Nesta quinta-feira, mais cedo, voltou a dizer que o governo ainda não tem o mínimo de votos exigidos.

Na véspera, no entanto, lideranças aliadas deixaram café da manhã com o presidente Michel Temer no Palácio da Alvorada animados com a perspectiva de votação. Alguns chegaram a cravar que ela poderia ocorrer na próxima terça-feira. As estimativas de voto, ainda que preliminares, oscilaram de 260, entre os mais cautelosos, a 310, esta última com provável contabilidade de votos dos indecisos.

Nesse clima de otimismo, líderes aliados passaram a quarta em reuniões e conversas, e assistiram duas legendas governistas (PMDB e PTB) fecharem questão a favor da reforma, parte da estratégia elaborada para angariar votos. À noite voltaram ao Alvorada  para um relato das articulações até então e ouviram um apelo de Temer por apoio à reforma.

Nesta quinta-feira, no entanto, o ânimo já era outro. Liderança super engajada pela aprovação da reforma já admitia uma diminuição das chances de votação da reforma da Previdência na próxima semana. Segundo o parlamentar, a negociação enfrenta obstáculos em partidos aliados --o PRB, o PR e o PSD.

"A data enfraqueceu", afirmou a liderança, sob condição de anonimato, citando dificuldades em reverter votos contrários à reforma nas três siglas.

Se a primeira liderança usou a expressão "enfraqueceu" para descrever as chances de votação na próxima semana, outro parlamentar da base aliada ouvido pela Reuters apresentou uma avaliação mais pessimista. Para ele, a proposta não deve ser votada neste ano.

"Não tem mais a ver com texto, é o momento que não ajuda", disse, referindo-se à proximidade do fim do ano e do período eleitoral.

Em uma posição mais moderada, outra liderança reconheceu que a proposta ainda não tem os votos necessários, mas não descartou uma votação ainda neste ano.

Ainda que reconheça que a PEC não conta com os votos necessários, Maia garante que vai seguir trabalhando pela reforma. O presidente da Câmara trabalha com um prazo de até 10 dias para "criar as condições" de votá-la.

"Eu tenho certeza que se nós tivéssemos mais quatro semanas, eu não tenho dúvida que a reforma da Previdência estaria com certeza aprovada. Mas nós não temos. Nós temos no máximo uma semana, dez dias e nós vamos trabalhar com esse prazo para criar as condições", disse Maia a jornalistas. "Agora, sempre de forma realista."

Em outro momento, o presidente da Câmara negou ter informação de que não há condições para votar a reforma semana que vem. Mas não definiu, até o momento, uma data para a votação.

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