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Visita do Papa: presidente da CNBB não teme efeito de protestos

21 jun 2013
20h23
atualizado às 20h25
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O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Raymundo Damasceno Assis, disse que não teme que a onda de protestos no Brasil prejudique a organização Jornada Mundial da Juventude, evento católico que reunirá cerca de 2 milhões de pessoas no Rio entre 23 e 28 de julho. Segundo o cardeal, a agenda de visita do papa Francisco está mantida.

“Não estou preocupado, porque tudo está ocorrendo normalmente. Não vamos, evidentemente, fazer nenhuma modificação, tanto na programação quanto na data da realização da jornada. Com relação à visita do santo padre, há uma tranquilidade”, disse Dom Raymundo Damasceno.

O presidente da CNBB agiu com naturalidade sobre as manifestações e disse que atos similares são recorrentes e outros grandes eventos promovidos pela Igreja Católica. Uma ou outra manifestação que possa ocorrer no período da Jornada Mundial é normal. Isso tem ocorrido em outros países nas mesmas ocasiões”, afirmou.

A Igreja acredita na garantia de segurança oferecida pelo governo brasileiro. Além de a Jornada Mundial da Juventude reunir uma grande quantidade de fieis, o papa é o chefe de Estado do Vaticano. “É missão do Estado, é missão do município, é missão do próprio governo estadual dar garantias a todo cidadão que vem ao Brasil. Isso é fundamental. E é claro que ela (presidente Dilma Rousseff) vai nos garantir porque se trata de um evento grande, um acontecimento grande”, concluiu o cardeal.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

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Fonte: Terra
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