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vc repórter: sob protestos, prefeitura conclui demolição de favela no Rio

8 jan 2014
21h01
atualizado em 9/1/2014 às 12h03
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Após uma terça-feira marcada por protestos conforntos com a polícia, a prefeitura do Rio promoveu a demolição das residências remanescentes da comunidade Metrô-Mangueira, na zona norte da cidade. Segundo a prefeitura, todas as 662 duas famílias que viviam ali foram ou serão contempladas com moradias por meio do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

Escombros das residências demolidas foram isolados pela prefeitura
Escombros das residências demolidas foram isolados pela prefeitura
Foto: José Carlos Pereira de Carvalho / vc repórter

No local, das proximidades do Metrô Mangueira, a administração municipal pretende “reordenar o espaço urbano e criar o Polo Automotivo Mangueira”. O objetivo, diz o órgão via nota oficial, é “concentrar atividades comerciais e serviços para o setor e incentivar a geração de trabalho e de renda para a população local”.

Haverá, ainda,um “parque linear”, com ciclovia, parque infantil, academia da terceira idade, pista de skate e 400 árvores.

Das 662 famílias que viviam na favela do Metrô-Mangueira, “a maioria está sendo reassentada nos condomínios Mangueira I e Mangueira II, ao lado da comunidade”. “A negociação com as famílias foi iniciada em 2010 e o reassentamento foi concluído em dezembro de 2013. No entanto, as casas remanescentes foram recentemente invadidas, com o grupo tendo recusado a oferta de abrigo por parte da prefeitura”, concluiu o órgão. 

Moradores, contudo, afirmam se procupar com a falta de perspectivas. É o caso da aposentada Vera Lúcia Rios, de 70 anos, que vive com os quatro netos na comunidade. Ela  sustenta as crianças depois que a filha, usuária de drogas, saiu e nunca mais voltou. “Vim para cá, para a invasão, porque tenho as crianças, não tenho como pagar aluguel. Tenho uma filha que virou cracuda (usuária de crack) há quatros anos e sumiu.”

Vera paga um empréstimo e sustenta a família com cerca de R$ 500 por mês. As crianças, com idade entre 6 e 12 anos, ajudam como podem. Uma delas auxilia na remoção de fios de cobre para um ferro-velho que fica colado na favela, na avenida Radial Oeste.

Também com a casa para  ser demolida, a doméstica Tatiane Souza Gardêncio, cobra auxílio da prefeitura para a mudança e pede um imóvel novo. Ela mora na comunidade há oito meses, com oito parentes, entre filhos e netos, depois de deixar a favela em Campo Grande, na zona oeste.“Eles (a prefeitura) falam que é invasão. Mas eu vou preferir morar na rua com os meus filhos do que na invasão? Não”, respondeu Tatiane. “Eu vim porque estava vazio. Peguei e entrei.” 

Com informações da Agência Brasil

O internauta José Carlos Pereira de Carvalho, de Blumenau (SC), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

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