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Unesp afasta professor suspeito de assédio sexual contra alunas

Anúncio acontece dois dias depois de uma sindicância ser aberta para investigar o caso. Afastamento é preliminar e vai durar 180 dias

6 jul 2022 - 21h37
(atualizado em 7/7/2022 às 10h47)
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Na última sexta-feira, cartazes foram espalhados pelo campus da Unesp, em Bauru, para denunciar suposto abuso sexual cometido por professor da universidade
Na última sexta-feira, cartazes foram espalhados pelo campus da Unesp, em Bauru, para denunciar suposto abuso sexual cometido por professor da universidade
Foto: Poder360

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) afastou de forma preliminar, por 180 dias, o professor Marcelo Magalhães Bulhões, acusado por alunas de cometer assédio sexual na instituição. A informação foi divulgada por meio de um comunicado nesta quarta-feira, 6, pela Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC), a qual o docente é vinculado.

"A Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC) informa que na manhã desta quarta-feira, 6, a pedido da Comissão de Sindicância instituída para investigar as acusações de assédio sexual que recaem sobre um docente da universidade, após discussão sobre os fatos e documentos que instruem o processo, deliberou pelo afastamento preliminar oficial do referido servidor pelo período de 180 dias, conforme legislação em vigor", informou a nota, que não menciona o nome de Marcelo.

A universidade afirmou ainda que a Comissão de Sindicância deve levar 60 dias para concluir as apurações, e que Marcelo Magalhães Bulhões será ouvido sobre as acusações. Na nota, a FAAC reiterou que "toda e qualquer prática de assédio não é tolerada" pela faculdade, e ressaltou que vítimas de violência do tipo devem procurar a Ouvidoria da Unesp para formalizar as denúncias.

Na última sexta-feira, 1º de julho, ele foi alvo de uma manifestação feita por estudantes do câmpus de Bauru, interior de São Paulo. Elas afirmam ter sido vítimas de assédio sexual cometido pelo docente. O professor nega as acusações.

Em razão dos relatos, uma sindicância administrativa foi aberta na última segunda, 4, para investigar os fatos. As estudantes alegam que o Bulhões as abordava por meio de redes sociais, e-mail e aplicativos de mensagens, e dizia que estava interessado em ter relações sexuais com elas — "a verdade é que o nosso desejo não passa", teria dito ele em uma das mensagens enviadas.

O conteúdo de algumas das conversas foi exibido pelas alunas durante a manifestação da semana passada. No mesmo dia do protesto, Marcelo Magalhães Bulhões negou as acusações e afirmou, na ocasião, que estava sendo vítima de calúnia por parte das estudantes.

Por meio de nota enviada à imprensa, ele disse que, ao longo dos 28 anos em que leciona na universidade, nunca "houve indício concreto" de já ter praticado assédio contra as alunas da instituição.

"Foi com estarrecimento que fiquei sabendo que cartazes foram afixados no câmpus com teor acusatório a mim. Estou ainda chocado. Entendo que legítimas e importantes demandas da atualidade - luta contra o racismo, movimento feminista - têm produzido uma mobilização de empatia diante de causas importantes. Nesse caso, todavia, estou sendo vítima de calúnia, cuja propagação em tempos digitais é implacável", declarou Bulhões.

Em 2017, outra sindicância foi aberta para investigar o docente pelo mesmo motivo. Na época, o processo contra ele foi arquivado, mas Marcelo foi afastado do curso de Jornalismo e realocado para lecionar na graduação de Relações Públicas.

Estadão
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