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Defensoria: donos da Kiss têm 5 imóveis e R$ 500 mil bloqueados

Bloqueio dos bens de sócios foi determinado no dia 28 de janeiro

7 fev 2013
16h54
atualizado às 17h03
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Dez dias após garantir na Justiça o bloqueio dos bens dos dois sócios proprietários da Boate Kiss, a Defensoria Pública do Rio Grande do Sul informou nesta quinta-feira que ainda não foi concluída a indisponibilidade de imóveis, veículos e recursos financeiros de Kiko Spohr e Mauro Hoffmann. Até o momento, foram bloqueados cinco imóveis e uma conta bancária com cerca de R$ 500 mil. O objetivo, segundo o defensor público André Magalhães, é garantir recursos para futuras indenizações às famílias das vítimas do incêndio que deixou mais de 230 mortos em Santa Maria (RS).

<p>Mauro Hoffmann (esq.) e Kiko Spohr (dir.) foram presos após incêndio na Boate Kiss</p>
Mauro Hoffmann (esq.) e Kiko Spohr (dir.) foram presos após incêndio na Boate Kiss
Foto: Nabor Goulart/Agência Freelancer/Facebook / Reprodução

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"Nós recebemos uma informação verbal, que um cartório passou por telefone pra gente, de que já teria verificado a existência de cinco imóveis em nome do Mauro (Hoffmann)", afirmou o defensor. A conta bancária bloqueada estaria no nome de uma segunda empresa pertencente a Hoffmann.

De acordo com o defensor público, os valores bloqueados não serão suficientes para cobrir as futuras indenizações aos familiares das vítimas da tragédia. "Acreditamos que esses valores não serão suficientes para fazer eventual indenização. Em que pese não sabermos a priori qual vai ser o valor pedido em cada caso, e tendo em vista que são milhares de pessoas que devam ser indenizadas - não só as pessoas que morreram, como também familiares, sobreviventes e outras que possam se sentir lesadas pela tragédia. Esse valor deve bater na casa de milhões de reais", estimou Magalhães.

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O defensor público acredita que, caso seja comprovada a responsabilidade do poder público na tragédia, Estado e município também poderão ser condenados a indenizar as famílias. "Se o juiz entender que há responsabilidade, Estado e município podem responder também", afirmou.

Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

Fonte: Terra

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