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Risco de queda de viaduto faz governo suspender trens e rodízio na Marginal

Na madrugada, estrutura - que já havia cedido 2 metros - caiu mais 7 milímetros. Por causa da trepidação registrada pela passagem dos trens, duas estações da CPTM foram fechadas, sem previsão de abertura. Motivo do incidente ainda é desconhecido

16 nov 2018
17h11
atualizado às 23h05
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SÃO PAULO - A falta de estabilidade do viaduto que cedeu na pista expressa da Marginal do Pinheiros levou nesta sexta-feira, 16, à paralisação dos trens que circulam sob a estrutura e à suspensão do rodízio municipal de veículos, após o feriado prolongado, entre a Avenida dos Bandeirantes, na zona sul, e a Ponte dos Remédios, na zona oeste. As duas medidas foram adotadas por tempo indeterminado.

Pela manhã, o secretário municipal de Infraestrutura e Obras, Vitor Aly, esteve no viaduto e informou que a estrutura, que pesa cerca de 550 toneladas, cedera 7 milímetros durante a madrugada e que havia risco de desabamento.

Por causa da trepidação na região, a Prefeitura de São Paulo pediu ao governo do Estado que suspendesse a passagem dos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) na Linha 9-Esmeralda. O governo fechou, então, duas estações, e a Prefeitura acionou o Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência (Paese) para atender os passageiros.

O viaduto, localizado perto do Parque Villa-Lobos e da Ponto do Jaguaré, na zona oeste, cedeu nesta quinta-feira, 15, por volta das 3h30. Pelo menos cinco veículos passavam no local, mas não houve feridos graves. A Prefeitura afirma que faz vistorias periódicas nos 185 viadutos e pontes da capital e que não havia detectado riscos estruturais.

O Município ainda não sabe informar o que fez o viaduto ceder nem quanto tempo será necessário para reformá-lo. Segundo a gestão Bruno Covas (PSDB), apenas quando a estrutura for estabilizada será possível fazer a análise mais profunda.

Para o engenheiro civil Matheus Marquesi, professor de pontes e grandes estruturas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), apenas após essa avaliação os técnicos poderão determinar o futuro da estrutura: recuperação ou demolição. "É possível recuperar o tabuleiro (viaduto), mas precisamos ver se isso não causará problemas em toda a estrutura. Marquesi acredita que o caminho até a retomada do tráfego no viaduto será longo. "Não vão resolver do dia para a noite."

Trânsito

Mesmo com a operação de remanejamento do trânsito na Marginal Pinheiros e dos desvios indicados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o paulistano deve sofrer com as consequências do fechamento do viaduto.

Consultor em engenharia de tráfego e transporte, Horácio Augusto Figueira estima que o trânsito não vai se concentrar apenas no entorno do trecho interditado. "O Waze e a CET vão jogar os motoristas para outras ruas, fazendo com que haja trânsito da Avenida dos Bandeirantes à Lapa. Sem parte da Linha 9, quem vem de Osasco não vai conseguir chegar na estação Pinheiros e mais pessoas poderão usar o automóvel. O Paese vai ser um quebra-galho."

Figueira alerta para a necessidade de dar prioridade a ônibus e caminhões que vão para a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). "A questão da carga é imprescindível para evitar desabastecimento. Há uma dinâmica de milhares de toneladas de perecíveis, e isso tem de ser mantido a qualquer custo, mesmo que tirem uma faixa de carros só para esses caminhões."

No primeiro dia sem o viaduto ceder, a capital superou a média de trânsito para uma sexta-feira, ao meio-dia. Segundo a CET, a cidade registrou 63 km de lentidão no horário, dos quais 9 km foram na Marginal Pinheiros.

Parque vazio

O movimento no Parque Villa-Lobos foi afetado pelo fechamento da estação da CPTM, segundo a Secretaria do Meio Ambiente do Estado. Barracas de comida e brinquedos não tinham fila e era possível andar tranquilamente pela área de lazer, apesar de muitos paulistanos estarem de folga.

Para curtir o feriado, o mecânico Wagner Carvalho, de 41 anos, foi ao parque com a mulher, Bruna Braga, de 26, e os filhos Arthur, de 6, e Edgar, de 3. "A gente levou mais de duas horas para chegar aqui por causa do trânsito. Normalmente, faço este trajeto em 25 minutos", disse Carvalho, que saiu de carro do Jardim Ângela, na zona sul. "Uma hora eu desisti da Marginal do Pinheiros e vim por um caminho maior, por dentro."

No Shopping Villa-Lobos, lojistas não sentiram impacto negativo no volume de clientes. "A maioria vem de carro, então até aumentou o movimento por causa do feriado", disse o vendedor Cleber Santos, de 28 anos. Morador de Carapicuíba, na Grande São Paulo, ele pediu carona para chegar. "Dependo de transporte público, não conseguiria."

Feirantes da Ceagesp também sofreram. Vendedor de repolho, alface e coentro, Samuel Faho contou que a mercadoria atrasou. "As folhas vêm do interior. Era para chegar às 12 horas, mas o caminhão pegou trânsito e só encostou duas horas depois." / ANA PAULA NIEDERAUER, FELIPE RESK e PAULA FELIX

Estadão
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