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Paracatu vive clima de medo e revolta após ataque a tiros em igreja

Rudson Aragão Guimarães, de 38 anos, matou a ex-namorada a facadas em uma residência e, em seguida, atirou contra fiéis que participavam de uma reunião particular

23 mai 2019
02h10
atualizado às 02h13
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PARACATU (MG) - A cidade de Paracatu, na região noroeste de Minas Gerais, vive um clima de medo e revolta após o ataque a tiros em uma igreja batista. Na terça-feira, Rudson Aragão Guimarães, de 38 anos, matou a ex-namorada a facadas em uma residência e, em seguida, atirou contra três fiéis que participavam de uma reunião particular na Igreja Batista Shalom.

Prima de Rosângela Albernaz, de 50 anos, uma das vítimas, a trabalhadora doméstica Maria Raquel Neiva Canêdo, de 46 anos, conta mora na mesma rua de um tio do atirador. "Mais cedo, muita gente veio aí no portão para xingar o tio do Rudson, mas ele trancou tudo. É muita revolta contra a covardia que aconteceu", disse.

Rosângela foi atingida dentro da igreja. Segundo Maria Raquel, ela era uma mulher "batalhadora" e "devota a Deus". "Ela deu duro para abrir uma lanchonete, que fica ali bem próxima da igreja. Agora não tem mais o que fazer, não tem nada que traga ela de volta", lamentou. Na porta da lanchonete, há um cartaz em que se lê: "Luto".

O velório de três vítimas ocorreu em Paracatu, durante a tarde. O corpo da quarta vítima, Heloísa Vieira Andrade, foi velado em Uberlândia. A Igreja Batista Shalom, onde aconteceu o ataque, passou a noite de quarta-feira fechada. O atirador, que foi contido e baleado pela polícia, segue internado no hospital municipal.

Bloqueado no WhatsApp

O analista de patrimônio, Geraldo Martins de Melo, de 38 anos, irmão de Marilene Martins Melo, de 52 anos, outra vítima da tragédia, contou que Guimarães foi bloqueado de um grupo de WhatsApp da igreja, há cerca de um mês, por mal comportamento e por isso queria se vingar.

"Ele chegou ao local por volta das 19 horas, arrancou o portão, passou por uma porta de vidro e entrou pelo salão da igreja chamando pelo nome do pastor. Ele gritava que queria matar o pastor: 'se você não aparecer aqui, vou começar a matar pelo seu pai'. E foi o que ele fez", explicou.

Melo contou que Guimarães era conhecido da família, mas que, com o passar dos anos, os familiares se distanciaram porque ele tomou outros rumos. " Ele cresceu conosco, mas aos poucos começou a trilhar por caminhos tortos. Nos distanciamos justamente porque ele era 'bagunçado' aqui na cidade", disse.

Guimarães prestou serviço militar obrigatório como soldado no Comando da Aeronáutica, mas, segundo o órgão, desde 2003 não pertence mais ao efetivo.

Segundo Melo, Marilene tinha a função de acolher e orientar os fiéis. "Minha irmã tentou acalmá-lo. Mas ele estava muito agressivo e atirou em uma fiel e, na sequência, pegou Marilene como refém. Não obedeceu a ordem da polícia e deu um tiro na nuca dela", disse.

Estadão
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