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Papa diz que pessoas que rejeitam homossexuais 'não têm coração humano'

Em outra ocasião, Francisco lamentou que migrantes encontrem portas fechadas por cálculos políticos

19 abr 2019
18h59
atualizado às 20h11
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Roma - O papa Francisco afirmou durante uma conversa com o comediante britânico Stephen K. Amos - que ainda não foi ao ar, mas teve trechos antecipados nesta sexta-feira pela rede de televisão "BBC" nas redes sociais - que as pessoas que rejeitam os homossexuais "não têm coração humano".

Na conversa para o programa "Pilgrimage: The Road To Rome", o comendiante conta ao papa Francisco que não é crente e que viajou a Roma "em busca de respostas e fé".

"Porém, como homem gay, não me sinto aceito", disse Stephen.

Diante dessa questão, o papa Francisco disse imediamente que dar "mais importância ao adjetivo (gay) do que ao substantivo (homem) não é bom".

"Todos somos seres humanos, temos dignidade. Se uma pessoa tem uma tendência ou outra, isso não lhe tira a dignidade como pessoa", disse Francisco.

"As pessoas que decidem rejeitar o outro por um adjetivo não têm coração humano", acrescentou Francisco, deixando Amos visivelmente emocionado.

O papa Francisco já havia defendido em várias ocasiões a necessidade de respeitar pessoas homossexuais e, na viagem de retorno a Roma após uma visita ao Brasil, em 2013, perguntou quem era ele para julgar os gays.

Além disso, no Sínodo de Bispos sobre a família realizado em outubro de 2014 foi aprovado um extenso documento no qual lançava uma reflexão sobre problemas da família atual, como os divorciados casados novamente, e apoiava uma Igreja Católica que acolhesse todos, incluindo os homossexuais.

Migração

Nesta Sexta-Feira Santa, 19, o papa lamentou que os migrantes que fogem de países em conflito encontrem "as portas fechadas pelo medo e os corações blindados de cálculos políticos", durante sua oração na celebração da Via-Sacra, em frente ao Coliseu de Roma.

Francisco também criticou a cobiça e o poder, e que famílias sejam "destruídas pela traição, pelas seduções do demônio" ou pelo egoísmo.

O pontífice citou como cruzes do mundo o fato de haver "pessoas famintas de pão e de amor" ou "abandonadas inclusive pelos próprios filhos e parentes", além de "pessoas que não têm o consolo da fé".

O papa lamentou outras situações e injustiças e falou sobre "idosos que se arrastam sob o peso dos anos e da solidão", e crianças "feridas na sua inocência e na sua pureza".

Francisco criticou "a humanidade que vaga na escuridão da incerteza e na escuridão da cultura do momento" e que haja pessoas que sejam rechaçadas e marginalizadas.

O papa também mencionou os crentes que, tendo fé e "tentando viver de acordo (com a palavra de Deus), são marginalizados e deixados de lado inclusive por parentes e seus companheiros".

Por fim, o pontífice criticou as fraquezas dos seres humanos, a hipocrisia, as traições, os pecados e as promessas quebradas, e também o egoísmo que cega os homens pela cobiça e o poder.

"Senhor Jesus, reviva em nós a esperança na ressurreição e na sua vitória definitiva contra todo o mal e toda morte", concluiu.

Com a mensagem, o papa pôs fim ao rito da Via-Sacra, que seguiu a tradição de ser celebrada no Coliseu romano, símbolo da perseguição e do sofrimento dos primeiros cristãos.

A freira italiana Eugenia Bonetti, missionária da Consolata e conhecida por ter dedicado a vida a lutar contra o tráfico humano, foi a responsável por redigir as meditações deste ano. /EFE

Estadão
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