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Museu do Ipiranga terá jardim com restaurante e vai reconstruir fontes originais

Com 70% das obras concluídas, instituição que está fechada desde 2013 será reaberta em setembro do ano que vem

31 ago 2021 13h42
| atualizado às 17h39
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O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta terça-feira, 31, o início das obras de restauração do jardim francês que fazem parte da reforma do Museu do Ipiranga,localizado no Parque da Independência, na zona sul da cidade. A reabertura da instituição, fechada em 2013, acontecerá em setembro de 2022 para a celebração do bicentenário da Independência do Brasil.

O projeto prevê a restauração de toda a área construída e botânica do jardim francês, além da construção de um restaurante com 270m², espaço para food bikes, modernização da iluminação e das vias de acesso, além do resgate de duas fontes do projeto original, demolidas em 1972. O espaço arquitetônico e paisagístico será um lugar para a convivência dos frequentadores da praça, do museu e do parque.

O jardim francês, importante tendência paisagística criada no século XVII, é baseado nas formas geométricas e na simetria. Ele é construído como extensão viva das edificações. No caso do Ipiranga, é um dos seus grandes charmes. O principal representante do estilo são os jardins do Palácio de Versailles.

Durante a reforma, o jardim também vai abrigar, a partir do dia 7 de setembro, um relógio para a contagem regressiva de um ano para a reabertura oficial do Museu do Ipiranga. As redes sociais do Museu já iniciaram a marcação: hoje, faltam 371 dias para a retomada das atividades.

De acordo com o secretário de Cultura, Sérgio Sá Leitão, as obras estarão finalizadas até 31 de março do ano que vem. Nesta data começam as instalações das exposições, que vão até agosto. A partir do dia 7 de agosto de 2022, o Festival do Bicentenário da Independência vai promover um mês de atividades culturais e artísticas para celebrar a reabertura. No dia 7 de setembro, um show dos cantores João Bosco e Martinália, gravado durante as obras, será exibido nas redes sociais.

"A proposta do governo de São Paulo é um mês de festividades e atividades. Na parte externa, a partir de 7 de agosto, e na parte interna, a partir de 7 de setembro", afirmou o governador João Doria.

O projeto de reforma, parceria do governo estadual com a Prefeitura de São Paulo e mais 21 empresas, envolve oito intervenções urbanísticas. Além do restauro e ampliação do edifício e a reforma do jardim francês, a Sabesp atua na despoluição do córrego do Ipiranga e a criação de uma nova área de lazer.

A Prefeitura também conduz as reformas do entorno, com a recuperação das calçadas, da iluminação e do projeto paisagístico, além da reconstrução do Monumento da Independência, da Cripta Imperial e da Casa do Grito.

De acordo com o governo estadual, a revitalização é o maior projeto cultural em andamento no País e já conta com 70% dos trabalhos foram concluídos. O investimento total nas obras é de R$ 210 milhões, dos quais R$ 170 milhões foram captados junto à iniciativa privada, com e sem a Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura).

Durante a entrevista coletiva de apresentação da nova fase da reforma, o governador João Doria evitou comentar outros temas, como o assalto em Araçatuba, na madrugada de segunda-feira, 30, quando uma quadrilha invadiu e atacou pelos menos três agências bancárias. E destacou as últimas fases da reforma. "Vamos focar no Museu do Ipiranga. São poucas as oportunidades de darmos boas notícias e hoje temos boas notícias para dar. A população merece. Não tem sido assim no País ultimamente", afirmou João Doria.

O museu foi fechado em 2013 devido a problemas graves nas condições físicas e estruturais, como rachaduras e infiltrações do teto ao chão. O local ficou fechado por seis anos. Em 2018, a Justiça determinou que o governo de São Paulo tomasse medidas emergenciais para garantir a segurança do acervo e da sede do Museu do Ipiranga.

A ação civil pública foi aberta pelo Ministério Público (MPSP) após uma vistoria que identificou diversos riscos ao patrimônio, tais como sistema de detecção de incêndio inoperante, condutores elétricos sem isolamento e fiações elétricas expostas. Ao propor a ação, o MPSP lembrou recentes incêndios em imóveis históricos brasileiros, como o Museu Nacional (2018), o Museu da Língua Portuguesa (2015) e o Instituto Butantan (2010). As obras atuais foram iniciadas em 2019.

Construído às margens do Córrego do Ipiranga em 1890, o prédio foi transformado em museu em 1895. É o mais antigo da cidade de São Paulo. Especializado na cultura material da sociedade brasileira, ele possui cerca de 450 mil peças. Em 1963, passou para a administração da USP.

Entre os destaques do acervo está o quadro "Independência ou Morte", de Pedro Américo, no Salão Nobre do Edifício Monumento. Com 5?metros?de?altura?e?7?metros?de?comprimento,?a tela foi restaurada na própria parede em que está exposta, pois não poderia ser transportada.

Estadão
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