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Mulher de músico que foi fuzilado por militares presta depoimento à Justiça

Doze militares são acusados de duplo homicídio após dispararem contra veículo por acreditarem ser de suspeitos de roubo. Viúva reiterou informações sobre o caso

22 mai 2019
00h58
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RIO - A Justiça Militar no Rio de Janeiro promoveu nesta terça-feira, 21, uma audiência para tomar depoimentos de sete testemunhas de acusação no processo contra 12 militares acusados de duplo homicídio pelas mortes do músico Evaldo Rosa dos Santos e do catador de recicláveis Luciano Macedo. Um oitavo depoimento a ser colhido nesta terça era de Sérgio de Araújo, sogro de Santos e vítima de tentativa de homicídio, na mesma ação.

Eles foram fuzilados no dia 7 de abril, em Guadalupe (zona oeste do Rio), por militares que dispararam 83 tiros contra o carro de Santos. O músico seguia com a família para um chá de bebê quando teve seu carro confundido com o de assaltantes que haviam roubado um veículo momentos antes. Macedo passava pelo local, tentou salvar a família do motorista e acabou alvejado.

A primeira testemunha a prestar depoimento nesta terça-feira foi o contador Marcelo Monte Bartoly, que teve seu carro roubado minutos antes do ataque dos militares ao veículo de Santos. Ele contou que três criminosos desembarcaram de um Ford Ka sedan branco, anunciaram o assalto, e em seguida dois deles entraram em seu carro e fugiram com o veículo.

Bartoly disse ter corrido até avistar um veículo blindado ocupado por militares, a quem avisou sobre o assalto de que havia sido vítima. Depois os militares atacaram o carro do músico, semelhante ao usado pelos assaltantes, e chegaram a perguntar ao contador se reconhecia algum dos ocupantes do carro como assaltante, mas ele não identificou ninguém.

A segunda testemunha a ser ouvida foi Luciana Santos, viúva de Santos. Ela estava no carro no momento dos disparos. Muito emocionada, Luciana pediu que os militares acusados - que assistiam aos depoimentos - fossem retirados da sala de audiências.

A viúva contou que os militares se aproximaram já atirando e que, quando o marido perdeu o controle do carro, pediu calma a ele, mas o músico não respondeu mais - talvez já estivesse morto. Luciana disse que saiu correndo do carro, tentando proteger o filho de sete anos, e pediu ajuda aos militares, mas eles se recusaram a socorrer o marido. Luciana disse que um dos militares chegou a debochar dela.

A terceira pessoa a depor foi Dayane Ohara, viúva do catador Luciano Macedo. Ela disse que o marido passava pelo local quando ouviu os tiros, então deixou o carrinho de recicláveis e correu para socorrer Luciana e o filho. Depois de auxiliá-los, Macedo voltou para tentar ajudar Santos, e aí foi alvejado - mas a viúva não viu esse momento.

Estadão
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