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MP-SP instaura inquérito para apurar incêndio no Memorial da América Latina

3 dez 2013 18h24
| atualizado às 18h43
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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou nesta terça-feira inquérito civil para apurar as consequências e as causas do incêndio no Auditório Simón Bolívar, no Memorial da América Latina, na última sexta-feira (29).

De acordo com o MP, há informações de que o auditório, com capacidade para 1,6 mil pessoas, estava funcionando sem licença desde 1993, quando venceu o Alvará de Funcionamento para local de reunião do Memorial.

A promotora de Justiça Camila Mansour Magalhães da Silveira, responsável pelo caso, vai apurar as condições de segurança do prédio, principalmente em relação às instalações elétricas, pois há informações de que, no início do incêndio no auditório, o Memorial da América Latina estava sem energia elétrica e um gerador estava em funcionamento e, quando a energia retornou, teria ocorrido um estrondo e as chamas se iniciaram.

A promotora encaminhou um ofício ao delegado do 23º Distrito Policial (Perdizes) solicitando que seja encaminhado ao MP, em 20 dias, cópias das declarações colhidas e provas técnicas do inquérito policial que apura o incêndio. 

Ela também pediu que o Instituto de Criminalística envie para a promotoria cópia do laudo pericial do incêndio, no prazo de 30 dias, e enviou um ofício ao comandante do Corpo de Bombeiros solicitando que relatórios e demais documentos relativos ao sinistro também sejam encaminhados ao Ministério Público em até 10 dias.

O Ministério Público oficiou o presidente da Fundação Memorial da América Latina, João Batista de Andrade, para que ele envie o trabalho que será realizado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) sobe a segurança do prédio no prazo de 30 dias. 

A promotoria também oficiou o coordenador da Defesa Civil Municipal , coronel Jair Paca de Lima, para que sejam enviados levantamentos e demais dados apurados relacionados ao incêndio no auditório, a AES Eletropaulo para que, em 20 dias, apresente esclarecimentos sobre a queda de energia ocorrida no dia do incêndio na Barra Funda, com dados técnicos sobre a queda de voltagem e seu retorno.

O MP questionou também a Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico (Condephaat) e o Departamento de Patrimônio Histórico (Conpresp) sobre a necessidade de demolição da estrutura do auditório, indicando o tipo de restauração adequada ao prédio, no prazo de 30 dias, e a prefeitura de São Paulo, sobre a licença de funcionamento do espaço, no prazo de 20 dias.

Incêndio
As chamas no Memorial da América Latina, na zona oeste de São Paulo, começaram por volta das 15h de sexta-feira e, por volta das 20h10, o fogo foi controlado. A assessoria de imprensa do Memorial da América Latina informou que o fogo foi causado por um curto-circuito do Auditório Simón Bolívar. Grande parte do forro da plateia B do auditório teria sido comprometida. Segundo os bombeiros, 50% do auditório foi consumido.

Vinte e quatro membros da corporação e um brigadista tiveram que ser encaminhados para o Hospital das Clínicas por inalação de fumaça.

Segundo declaração do major do Corpo de Bombeiros Wagner Lechner neste sábado, cinco pessoas continuavam internadas no Hospital das Clínicas, sendo duas em estado grave, porém, estável.

No final da manhã de sábado, o Corpo de Bombeiros já havia finalizado o trabalho de rescaldo. Equipes continuavam no local apenas para ventilar o prédio, eliminando a fumaça que ainda restava na edificação.

Em entrevista na sexta-feira, o major da Polícia Militar Mauro Lopes explicou que os bombeiros que ficaram feridos foram vitimados de um fenômeno chamado flashover. "Tivemos o flashover, que, por vezes dá para se prever, mas nesse caso não foi possível. Ele acontece quando você tem um ambiente pegando fogo, pouco oxigênio, calor e carga para se queimar, então a queima é lenta lá dentro. Quando você abre esse ambiente, há a entrada de mais oxigênio, então há o flashover", disse.

Confira o local do incêndio:

 Foto: Terra
Fonte: Terra
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