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MG: após desabamento de prédio, cães são resgatados com vida

2 jan 2012 - 19h06
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Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

O Corpo de Bombeiros de Belo Horizonte resgatou na tarde desta segunda-feira dois cães com vida dos escombros deixados pelo desabamento de um prédio durante esta madrugada na rua Passa Quatro, bairro Caiçara, região noroeste de Belo Horizonte (MG). "Eles estavam feridos, mas ainda com vida e foram devolvidos aos donos", disse o tenente Davi Lucas em entrevista coletiva realizada junto aos policiais militares do 34º BPM, que ajudaram no resgate de moradores.

Segundo a corporação, a construção já estava condenada pela Defesa Civil e ruiu de vez por volta de 0h30. Um imóvel vizinho também sofreu abalos e caiu. Treze pessoas estavam no prédio na hora do desabamento, entre elas cinco crianças. A Polícia Militar foi acionada por moradores, que perceberam a iminência da queda e, quando chegaram ao local, os militares acionaram a sirene e resgataram 11 pessoas antes da estrutura desabar.

A ação dos militares não impediu, entretanto, que um casal que morava no 1º andar fosse soterrado. Jamílson Aparecido, 38 anos, chegou a ser resgatado com vida, mas morreu a caminho do hospital. A mulher dele, Maíza Cunha de Moraes , 46 anos, foi socorrida com ferimentos graves e está internada no Hospital João XXIII. Segundo os médicos ela não corre risco de morrer.

Além dos cães, os Bombeiros localizaram documentos pessoais, três carros e duas motos. Os veículos serão retirados apenas quando a chuva que atingia a capital parar e não houver risco de novos desabamentos.

O tenente Gustavo Martins Ribeiro de Carvalho disse que uma viatura da polícia passava pela rua onde o prédio estava localizado por volta de 0h30, quando foi interceptada por uma moradora "desesperada" que percebeu o aumento das rachaduras e o risco de queda. "Ao entrar no prédio nós confirmamos as rachaduras no piso e garagem e ouvimos estalos. Então nós acionamos a sirene da viatura e iniciamos a retirada dos moradores."

O oficial seguiu dizendo que na hora algumas pessoas mostraram resistência para sair do imóvel. "Tivemos que retirá-las à força porque o número de vítimas seria maior. Fomos acordando todo mundo, dizendo que iríamos arrombar as portas, que era para todo mundo sair imediatamente", disse ele.

O tenente Martins disse ainda que algumas pessoas tentaram voltar para retirar os carros, sendo impedidas pelos militares conseguimos impedir. "Na hora foi um barulho muito grande, muita terra, escombros, cabos, postes puxados, canos de água estourando", afirmou ele.

O engenheiro Eduardo Pedersoli, da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec), disse que os moradores do prédio já haviam sido notificados três vezes sobre problemas identificados na construção. Segundo Pedersoli, o prédio "não tinha rede de drenagem de água da chuva, as ferragens das vigas estavam expostas e a rede de esgoto apresentava entupimentos".

De acordo com o engenheiro, os imóveis não foram desocupados porque "na época das vistorias ainda não havia o risco de desabamento". Um orçamento chegou a ser feito pelos moradores com construtoras para a reforma do prédio, mas o serviço teria ficado em torno de R$ 400 mil e por isso o projeto não seguiu adiante.

O relatório da Comdec, divulgado no início da tarde, apontou que um dos moradores chegou a ligar para o telefone 199 da Defesa Civil às 0h09 para relatar o risco de queda. A ocorrência foi registrada como "abatimento de piso". Nesta segunda-feira três imóveis vizinhos aos prédios que caíram foram interditados preventivamente pela Defesa Civil e Bombeiros.

Imagens de como ficou o terreno após o desabamento de um prédio em Belo Horizonte
Imagens de como ficou o terreno após o desabamento de um prédio em Belo Horizonte
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
Fonte: Especial para Terra
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