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Médico é investigado por assédio sexual contra 24 mulheres na Bahia

Vítimas divulgaram relatos em perfil no Instagram, o que levou a onda de denúncias. Advogado sustenta inocência do profissional que atua em Vitória da Conquista

16 mai 2019
00h19
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VITÓRIA DA CONQUISTA (BA) - O médico ginecologista e obstetra Orcione Júnior, que atua no interior da Bahia, está sendo investigado pela polícia por suposto assédio sexual a 24 pacientes, nove das quais já prestaram queixa contra ele na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) em Vitória da Conquista, sudoeste do estado, entre a terça e quarta-feira, 15.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

- Bom, há dias estou pensando por onde começar, porque eu não queria ficar calada, pois sei que se aconteceu comigo, pode acontecer com outras garotas. Então resolvi começar do começo mesmo e relatar o que aconteceu durante o meu atendimento com @drorcionejunior. - Há algumas semanas estive em seu consultório para realizar um preventivo e eu de fato estava muito nervosa por ser a primeira vez que passaria em um homem. - No início, a consulta estava seguindo com normalidade, até eu achar estranho/desnecessário ele elogiar o meu clitóris "seu clitóris é um pouco grande mas é bonito e interessante" a partir daí não tive nem reação para respondê-lo. - A consulta continuou e ele ainda estava colhendo o meu material, até que eu senti que ele estava tentando estimular o meu clitóris, mas como ele ainda estava colhendo o material eu até achei que seria normal, foi quando ele tirou o espéculo mas ainda sim continuou na tentativa de me estimular. - Logo depois eu o perguntei se já tinha acabado e ele disse todo sem graça que sim, então ele se aproximou de mim, pediu para que eu tirasse minha blusa para examinar os meus seios e assim o fez, nesse período ele tentava guiar o meu braço para perto do pênis dele e no primeiro momento ele obteve êxito, pois eu achava que era a posição correta que o braço teria que ficar para o exame ser feito e nesse momento eu senti que o pênis dele estava ereto. Foi aí que eu tirei meu braço de perto dele e só tremia, depois me pediu pra ir vestir minha roupa e assim eu fiz. - Quando voltei ele me pediu para sentar e foi aferir minha pressão, ele segurou meu braço de uma forma que queria que a minha mão passasse novamente no pênis dele, mas eu esquivei e coloquei em cima da mesa. Logo depois disse que a minha pressão estava normal e que eu poderia voltar com 30 dias para pegar o resultado. - Continua nos comentários ...

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Os supostos crimes vieram à tona por meio de um perfil criado no Instagram (diganaovca) na sexta-feira passada. Ao relato inicial seguiram outros também de suposto assédio pelo profissional, que, por meio do advogado Paulo de Tarso, alega inocência.

Para o advogado, "o médico é vítima de calúnia e difamação". Por conta da situação, ele deixou de fazer atendimentos em sua clínica particular, no bairro Brasil (zona oeste da cidade), e nos hospitais onde trabalha. 

As denúncias na Deam estão sendo feitas sob acompanhamento da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), onde as vítimas estiveram na segunda-feira passada e fizeram relatos diante da delegada titular da Deam, Dercimária Cardoso Gonçalves.

O Estado conversou com três dessas mulheres que estiveram na delegacia. Duas delas foram atendidas em 2015 e a outra, no início deste mês. Elas relatam desde comportamento inadequado do médico, como elogios ao "corpo lindo", até a toque íntimos que em nada se relacionavam com o atendimento médico. 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

NOTA PÚBLICA Na tarde desta segunda-feira (13), 24 mulheres solicitaram uma audiência com a diretoria da Ordem dos Advogados do Brasil Subseção Vitória da Conquista e com as Comissões da Mulher Advogada e dos Direitos da Mulher e, nessa ocasião, reivindicaram apoio e providências, a fim de que sejam adotados procedimentos de investigação acerca de notícias já veiculadas nas redes sociais nos últimos 3 dias. As publicações envolvem um profissional médico da cidade de Vitória da Conquista apontado como autor de possível violação de direitos das mulheres. Cumprindo com o seu papel público-institucional, previsto no Art. 44 do Estatuto da Advocacia, qual seja defender a ordem jurídica do Estado democrático de direito e o de pugnar pela boa aplicação das leis, a Diretoria acolheu o pleito e prontamente encaminhou expediente às autoridades competentes, pugnando pela adoção das providências que o caso requer. A OAB Subseção Vitória da Conquista permanecerá acompanhando o desenrolar dos procedimentos que serão adotados pelas autoridades, por considerar que é de relevante interesse social a elucidação dos fatos, ao tempo em que compromete-se ministrar apoio técnico-jurídico às ofendidas em seu direito e dignidade, o que fará por intermédio das Comissões temáticas envolvidas. Vitória da Conquista, 13 de maio de 2019 Diretoria da OAB Subseção Vitória da Conquista Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher Comissão da Mulher Advogada Conselheiros Estaduais: Ruy Hermann Medeiros Luciana Santos Silva Wendel Santos Silveira

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Uma das pacientes sofreu um aborto espontâneo e procurou atendimento emergencial com Orcione Júnior. "Ele tirou as luvas e começou a massagear meus seios, o que não era mais natural numa situação de aborto, já não fazia mais parte do protocolo, começou a massagear, não era uma massagem de um médico, era um toque de homem. E aí desceu por minha barriga, enquanto ele alisava todo o meu corpo, inclusive minha vagina, sem luva. Ele me elogiava e dizia que eu não ficasse preocupada", relatou uma das vítimas.

"Quando vi o relato no Instagram voltei a viver tudo que tinha vivido em 2015. Era como se estivesse vivendo aquele momento. Desde então, não consigo me alimentar direito, estou dormindo à base de remédio", acrescentou.

Advogado classifica denúncias como 'linchamento virtual'

O advogado Paulo de Tarso, que defende o médico Orcione Júnior, disse que "o que está ocorrendo é um linchamento virtual contra o médico, vítima de calúnia e difamação".

Paulo de Tarso disse que já havia identificado a autoria da mulher que criou o perfil "diganaovca" e fez o primeiro relato contra o médico, contudo, supostamente, a pessoa indicada afirmou que nunca foi atendida pelo médico e que apenas compartilhou a informação recebida sobre a denúncia

Sobre as queixas na delegacia, ele disse: "Isso começou com uma notícia falsa, mas as pessoas foram lá. Vai ver se realmente fez, se não fez, o que estou combatendo e estou indignado é que independente do resultado de um processo desse, o fato é que ele já foi condenado, já estão chamando ele até de estuprador".

"Se as pessoas tivessem ido à delegacia, houvesse um processo, depois da condenação fizessem a divulgação, aí poderia até ser. Mas não pode condenar um cara antes para depois apurar. A Justiça vai apurar, e o médico nega que tenha assediado as mulheres", declarou o advogado.

Estadão

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