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Mãe de menino morto no Metrô diz que recebeu informações desencontradas 

Linéia Oliveira Silva prestou depoimento nesta terça-feira; ela teve acesso a imagens de câmeras de segurança negado

9 jan 2019
01h29
atualizado às 02h08
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SÃO PAULO - A mãe do menino Luan Silva de Oliveira, de 3 anos, morto após desembarcar desacompanhado da família e ser atingido por um trem um uma estação do Metrô de São Paulo, prestou depoimento nesta terça-feira, 8 na Delegacia do Metrô de São Paulo, na Barra Funda, zona oeste paulistana. Segundo a defesa de Linéia Oliveira Silva, aproximadamente duas horas depois que o menino escapou, ela recebeu informações desencontradas de funcionários do Metrô sobre o estado de saúde de Luan.

No dia 23 de dezembro, às 11 horas, Linéia, o marido, o sogro e os três filhos da mulher seguiam pela Linha 1-Azul do Metrô no sentido Jabaquara, onde pegariam um ônibus para passar o Natal na Baixada Santista. Como o vagão estava cheio, Linéia se sentou perto da porta com Luan no colo e outro filho, de 7 anos, no banco ao lado. No chão, ela colocou uma mochila. Já o sogro, o marido e a filha de 9 anos ficaram em outro ponto do vagão.

Segundo relato de Linéia à polícia, quando a composição parou na Estação Santa Cruz, o sogro a chamou para que sentassem todos juntos. Ela, então, se levantou e colocou Luan na sua frente. Uma bolsa que carregava caiu e, ao se abaixar para pegá-la, o menino saiu correndo pela porta, que em seguida se fechou. Ela e o marido desceram na estação seguinte, procuraram um funcionário, mas não encontraram nenhum na plataforma, conforme disse ao Estado Ariel de Castro Alves, advogado da família.

Subindo em direção às catracas da Estação Praça da Árvore, Linéia conseguiu, então acionar seguranças do Metrô, que a acompanharam de volta à Estação Santa Cruz, onde, segundo relata, aguardou por aproximadamente duas horas para, então, receber informações desencontradas de funcionários. De acordo com o defensor, alguns disseram que o menino estava bem; outros, que Luan foi encontrado morto.

"Pode ter sido na intenção de tranquilizar, evitar uma crise, um colapso. Mas falta preparo no atendimento", diz Alves. O menino foi atingido por um trem entre as estações Santa Cruz e Praça da Árvore e retirado dos trilhos com cortes na região da cabeça. Luan foi levado ao Pronto Socorro do Hospital São Paulo, onde já chegou sem vida. Segundo laudo médico divulgado pelo advogado, não foi possível realizar intervenções por causa do "longo tempo entre o trauma e a chegada ao hospital."

O Centro de Controle Operacional (CCO) do Metrô demorou uma hora para autorizar que seguranças entrassem nos trilhos do sistema para buscar o menino. Relatório elaborado pelo Metrô e obtido pelo Sindicato dos Metroviários mostra que, entre o momento que o Centro de Controle de Segurança (CCS) recebe uma mensagem SMS sobre o ocorrido, às 11h07, e a autorização da entrada dos seguranças nos trilhos, passaram-se exatos 61 minutos.

Em nota, o Metrô informou que iniciou as buscas um minuto depois de receber um SMS que relatava que havia uma criança perdida na estação. "A procura se desenvolveu inicialmente pelas plataformas, depois pelos mezaninos da estação, chegou ao shopping anexo (Santa Cruz) e alcançou a estação Santa Cruz da Linha-5 Lilás, operada pela ViaMobilidade", informou.

"Após todas essas fases, iniciou-se o conjunto de medidas para desenergização das vias (4 km entre Vila Mariana e Saúde), parada dos trens nas plataforma para permitir a saída dos passageiros desses trens em segurança e também a entrada dos agentes de segurança nos túneis", acrescentou, em nota. O Metrô diz, ainda, que uma análise interna está em andamento e vem colaborando com as investigações policiais.

Imagens de câmeras

À polícia, Linéia pediu acesso às imagens de câmeras do Metrô, mas, segundo Alves, teve o pedido negado. "O delegado disse que as imagens estavam com o Instituto de Criminalística e que não poderiam ser fornecidas, mas sabemos que eles devem ter cópia. Qualquer pessoa tem direito a ter acesso a essas informações", diz o advogado.

Segundo Alves, o desejo de Linéia é que as imagens sejam divulgadas para que não fiquem dúvidas de que ela não teve culpa pela morte do filho. Logo depois de saber da morte de Luan, Linéia passou mal e teve de ser hospitalizada. Procurada para comentar a negativa sobre a divulgação das imagens, a Secretaria da Segurança Pública confirmou que as imagens não foram disponibilizadas pois estão em análise no Instituto de Criminalística.

"O caso é investigado pela 6ª Delegacia de Polícia - Metropolitano, da Divisão Especializada de Atendimento ao Turista (Deatur). Nesta terça-feira, 8, a mãe e o avô da vítima foram ouvidos e as imagens analisadas condizem com os depoimentos prestados. A autoridade policial aguarda a conclusão dos laudos periciais", informou a pasta.

Estadão

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