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Liesa muda regra e impede rebaixamento da Imperatriz Leopoldinense no grupo especial

O presidente da Liesa, Jorge Castanheira, pediu afastamento do cargo por não concordar com a medida

4 jun 2019
13h04
atualizado às 15h22
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RIO - Pela terceira vez em apenas três anos, a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) mudou as regras do jogo na última hora para impedir o rebaixamento de uma escola de samba do grupo especial do carnaval carioca. A Imperatriz Leopoldinense não será rebaixada, apesar de ter ficado na 13ª posição no desfile deste ano.

O Ministério Público do Rio (MPRJ) anunciou no início da tarde desta terça-feira, 4, que ingressará com uma ação coletiva para declarar nula a reunião ocorrida no dia anterior na Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), em que ficou decidido que a Imperatriz Leopoldinense não será rebaixada, embora tenha ficado na 13ª colocação no desfile deste ano.

O presidente da Liesa, Jorge Castanheira, pediu afastamento do cargo por não concordar com a medida, adotada após votação em plenário na segunda-feira, 3. Também em protesto contra a decisão, a Beija-Flor cancelou a festa que ocorreria em sua quadra, em Nilópolis, na Baixada Fluminense, para o lançamento do enredo do carnaval do ano que vem.

A proposta foi apresentada no fim de uma reunião que tinha por objetivo debater a prestação de contas do carnaval deste ano e o orçamento para o ano que vem. Oito escolas de samba votaram a favor da manutenção da Imperatriz no grupo especial (São Clemente, Paraíso do Tuiuti, Estácio de Sá, Grande Rio, União da Ilha, Salgueiro, Mocidade e Unidos da Tijuca). Outras cinco agremiações votaram contra a proposta, mas foram derrotadas (Mangueira, Beija-Flor, Portela, Viradouro e Vila Isabel).

"Os itens da pauta eram: a aprovação das contas do carnaval de 2019 e também o orçamento de 2020", afirmou Castanheira após o fim da reunião. "No item assuntos gerais foi colocado por alguns presidentes de escola uma proposta de manutenção da Imperatriz Leopoldinense no grupo especial para o carnaval de 2020."

Castanheira afirmou que propôs, então, uma mudança de regulamento para o carnaval do ano que vem, que não foi aceita. "Eu declarei, em plenário, que estou me afastando da Liga porque não concordo com essa situação de maneira alguma", disse.

O presidente da Liesa lembrou que fez um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público do Rio, que previa uma multa de R$ 750 mil em uma possível virada de mesa do carnaval.

"Eu fiz um termo de ajustamento com o Ministério Público. Tem nossa palavra, a nossa honra, e eu não posso voltar atrás nesse sentido. As escolas tomaram essa decisão, mas eu estou fora."

Esta é a terceira vez consecutiva em que escolas de samba conseguem decisões no 'tapetão'

Até 2016, o grupo especial reunia 12 escolas. A última colocada era rebaixada para a série A, cedendo seu lugar para a campeã daquele grupo. Em 2017, no entanto, acidentes envolvendo alegorias da Paraíso do Tuiuti e da Unidos da Tijuca provocaram a morte da radialista Liza Carioca e deixaram outros trinta feridos. A liga decidiu, então, que nenhuma escola seria rebaixada.

Em 2018, duas das então 13 escolas deveriam cair para que o grupo especial voltasse a ter 12 agremiações. Mas Grande Rio e Império Serrano, que deveriam ter caído, acabaram sendo salvas do rebaixamento. A explicação dada foi a dificuldade de financiar o desfile diante do corte da verba municipal para o carnaval.

Estadão
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