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Invasores ocupam base de terra indígena no Pará; Ministério da Justiça vai enviar reforço

Base da Funai foi cercada nesta quinta-feira, 19, por um grupo de invasores na terra indígena Apyterewa, localizada às margens do rio Xingu, no Pará

19 nov 2020
13h35
atualizado às 14h43
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BRASÍLIA - Uma base da Fundação Nacional do Índio (Funai) foi cercada nesta quinta-feira, 19, por um grupo de invasores na terra indígena Apyterewa, localizada às margens do rio Xingu, no Pará. A região é historicamente marcada pela presença de madeireiros, que invadem a terra indígena para extrair madeira.

Há cerca de 40 agentes do Ibama e Força Nacional na região. A equipe faz uma operação na área há mais de uma semana, para combate de desmatamento. Essa operação está em andamento. A tomada da base pelos invasores é uma reação ao trabalho desses agentes.

O Estadão apurou que o Ministério da Justiça já acompanha o caso e que, nesta sexta-feira, 20, deve enviar cerca de 40 homens da Força Nacional ao local para reforçar o trabalho.

A reportagem obteve informações de agentes que estão na operação. Os invasores bloquearam uma estrada, impedindo a passagem dos servidores. Para evitar conflito, um grupo do Ibama permanece na floresta e não voltou à base. Há um clima de tensão no local, por isso será enviado reforço policial.

Questionado sobre a situação assunto, o Ibama confirmou o envio de mais equipes, com apoio da Força Nacional. A Funai informou que não comentaria o assunto, porque se trata de uma operação do Ibama.

A terra indígena Apyterewa tem 773 mil hectares e uma população de 729 indígenas, segundo informações do Instituto Socioambiental (ISA). As terras indígenas são as áreas mais cobiçadas pelo mercado ilegal de madeira porque é dentro dessas áreas que estão as árvores mais nobres, justamente por serem terras demarcadas e conservarem a natureza.

O mesmo acontece em unidades de conservação, florestas protegidas que são mantidas pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).

?Vídeos da invasão circulam na internet

Vídeos gravados pelo grupo de invasores que circulam pela internet mostram os homens queimando uma ponte e bloqueado a estrada, para impedir a passagem dos agentes do Ibama, que atuam armados nessas operações, com poder de polícia.

Há mulheres e crianças entre os invasores. Eles afirmam ser trabalhadores e pedem que o Ibama deixe o local. Em um dos vídeos, uma das pessoas afirma ao servidores do Ibama: "Vocês estão trabalhando para o Lula ainda? O Lula já foi, rapaz. O Lula já foi. Nós não vamos recuar não. Nós somos trabalhadores."

A atuação de agentes do Ibama e ICMBio nas florestas é tema recorrente de críticas do presidente Jair Bolsonaro, que já fez diversas reclamações sobre apreensões e destruição de equipamentos usados em roubo de madeira e garimpo ilegal.

Em abril, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, determinaram a exoneração de uma equipe de agentes do Ibama após a queima de máquinas de criminosos que atuavam, justamente, na terra indígena Apyterewa e na terra vizinha Trincheira Bacajá. Naquela ocasião, foram lavrados, conforme ofício obtido pela reportagem, 26 autos de infração, 24 apreensões e 17 termos de destruição de máquinas, entre outros itens.

As imagens dessa operação, com tratores e máquinas de grande porte incendiadas no meio da floresta, foram exibidas pela imprensa nacional, o que enfureceu Bolsonaro, apesar desta ação dos fiscais ser prevista em lei há anos. O presidente condenou a ação e cobrou respostas. Dias depois, o Salles exonerou o diretor de proteção ambiental do Ibama, Olivaldi Alves Borges Azevedo, além dos coordenadores de fiscalização e operações Renê Oliveira e Hugo Loss.

O próprio governo, no entanto, usaria os resultados dessa operação meses depois, para turbinar sua investida militar na floresta, conforme revelou o Estadão. A operação militar Verde Brasil 2, liderada pelo vice-presidente Hamilton Mourão, começou só no mês seguinte. Iniciada em 11 de maio pelo Conselho da Amazônia, a operação incluiu em seu balanço de resultados as apreensões, multas e destruições de máquinas que o Ibama havia feito na megaoperação no Pará, entre os dias 4 e 16 de abril.

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Estadão
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