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Haddad sanciona lei que cria Dia do Perdão em São Paulo

Lei é do vereador Masakata Ota, que teve o filho assassinado em 1997. Em discurso, Ota relata que só retomou a vida após perdoar os criminosos

15 mai 2013
19h50
atualizado às 19h50
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O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), sancionou nesta quarta-feira a lei nº 15.742/2013, que inclui a celebração do Dia Municipal do Perdão na capital paulista. De autoria do vereador Masataka Ota (PSB), o texto estabelece que a data seja celebrada em 30 de agosto, data em que o filho do parlamentar, Ives Ota, foi assassinado há 15 anos.

A nova lei determina que, nesta data, sejam promovidos eventos e palestras que fomentem a reflexão e a divulgação do perdão na sociedade. "Não será um feriado, mas uma pausa para a metrópole refletir por meio de palestras, atividades de reflexão, sobre a importância do perdão", afirmou Ota após a sanção da lei.

Ives Ota, 8 anos, foi assassinado em 30 de agosto de 1997, após ser sequestrado na residência da família, na Vila Carrão, na zona leste de São Paulo. Menos de um ano após o crime, os três acusados pela morte de Ota foram condenados mas, desde 2005, cumprem a pena em regime semiaberto.

Durante a primeira votação do projeto na Câmara, Ota afirmou, em discurso, que sua tragédia pessoal demonstra que o ódio e o rancor não levam a nada. "Por muitos anos, nutri um ódio profundo, um sentimento de vingança que me consumiu, me levou ao álcool e quase me destruiu. Só me salvei porque tive o apoio e a força de minha mulher, Keiko Ota (deputada federal pelo PSB-SP)", disse.

"Acima de tudo, compreendi que, se continuasse a alimentar o ódio e o rancor, destruiria não só a mim, mas minha família, consumida pelo meu sofrimento visível. Perdoar não é fácil. Perdoar de verdade é mais difícil ainda. Levei muito tempo para compreender isto. No entanto, o dia que perdoei, recuperei o gosto por voltar a viver", relata o vereador.

Fonte: Terra

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