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Há ainda muitas incertezas sobre a atuação no Exército na Amazônia, incluindo efetivo e execução

A missão determinada pelo governo está longe de agradar a toda a oficialidade. Veterano lembra que queimada 'é tão certa e sabida quanto o Natal em dezembro'

24 ago 2019
03h11
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Soldado é soldado, não é bombeiro nem tem treinamento para isso. Entretanto, pode aprender depressa e passar a dar combate a um novo inimigo, as chamas que fazem da Amazônia o assunto do mundo - com maior intensidade há três dias e com certeza neste fim de semana, na mesa dos governantes dos sete países mais ricos do mundo, o G-7, reunido em Biarritz, no litoral da França. O envolvimento das Forças Armadas na luta para controlar os incêndios nos Estados de Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins - cobrindo cerca de 217,4 mil km² -, foi recebido como uma missão determinada pelo governo.

A tarefa, todavia, está longe de agradar a toda a oficialidade. Nos comandos regionais diretamente atingidos, o do Norte e o da Amazônia, ponderações ouvidas pelo Estado foram de certa forma críticas, variando da escassez crônica de recursos, de equipamentos e de dinheiro, o que pode obrigar a uma redução nas operações de Defesa, ao fato das Forças serem sucessivamente designadas para suprir deficiências locais - como foi na intervenção federal de dez meses na segurança pública do Rio, em 2018.

Um veterano de várias ações na região amazônica, lembrou que a ocorrência de queimadas nesta época do ano "é tão certa e sabida quanto o Natal em dezembro", destacando que os relatórios e os alertas enviados aos serviços ambientais do governo "recebem tratamento apenas burocrático".

Mesmo agora, na emergência do momento, tem de seguir uma liturgia. O regime de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) havia sido pedido por Acre, Pará, Rondônia e Roraima até o começo da noite desta sexta. Nos demais Estados, tropas e aviões só podem atuar em parques federais e áreas da União.

Atividades conjuntas, por exemplo, com equipes policiais, dependem de autorizações específicas. Há ainda muitas incertezas operacionais. O tamanho do efetivo aplicado e as unidades que participarão ainda devem ser definidos. O Comando Militar da Amazônia (CMA) tem de 17 mil a 23 mil combatentes. Na execução dessa GLO haverá grupos armados? A Amazônia é imensa e o acesso a muitos dos pontos de fogo mapeados é complicado, quase todo feito por meio da densa rede de rios. Haverá barcos suficientes, uma providência básica?

A Força Aérea anunciou nesta sexta que vai despachar para Porto Velho dois grandes aviões Hércules C-130 para entrar rapidamente no combate aos incêndios. Com duas tripulações, mais pessoal técnico, o grupo tem cerca de 30 pessoas. Uma das aeronaves leva o MAFFS (Modular Airborne Fire Fighting System) e a outra todos os acessórios de apoio. São cinco tanques de água que transportam 12 mil litros de água, mais dois tubos de pressão que saem pela porta traseira e o mecanismo de lançamento. O C-130 sobrevoa a área visada a 46 metros de altura e aciona o MAFFS durante sete segundos, tempo suficiente para esparramar a água por uma linha de 500 metros. Volta a base e reabastece os reservatórios. O ciclo completo demora 30 minutos. O consumo de combustível é elevado: a cada duas decolagens é preciso reabastecer o avião. Para espaços menores, é empregado um helicóptero H-34 Super Puma (também usado em remoções) que segue outro procedimento: a carga líquida vai em uma espécie de bolsa que se abre sobre as chamas.

Estadão
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