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Greve de ônibus em SP: passageiros dizem que preço de apps de transporte chega a triplicar

Diante da paralisação, usuários reclamam da alta das tarifas e do cancelamento das viagens; empresas afirmam que valor é dinâmico e varia de acordo com a demanda

29 jun 2022 - 13h34
(atualizado às 13h37)
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Passageiros prejudicados pela greve de motoristas e cobradores de ônibus nesta quarta-feira, 29 em São Paulo reclamam que as tarifas dos aplicativos de transporte dobraram e até triplicaram o preço. A saída de usuários foi dividir as corridas do serviço privado, alternativa diante da paralisação do transporte público. O pico dos preços ocorreu entre 7 e 9 da manhã. Empresas afirmam que valor é dinâmico e varia de acordo com a demanda.

A assistente administrativa Maria de Fátima Santos, de 32 anos, queria sair do bairro Limoeiro e chegar à região do Aricanduva, ambos na zona leste. Depois de fazer simulações pelos aplicativos de transporte, quase desistiu. O percurso que normalmente custa R$ 20 sairia pelo dobro do valor. Sem opções, ela decidiu pagar a tarifa. "É uma consulta médica que não posso perder", justificou.

O problema afetou praticamente todas as regiões da cidade. Na zona sul, a atendente de telemarketing Simone Pereira Lopes, 19 anos, decidiu chamar um carro de aplicativo do terminal Santo Amaro. Pagou R$ 30 em uma corrida que sairia normalmente por R$ 18 até a Chácara Santo Antônio. Na zona norte, o vendedor Wellington Henrique queria sair do Imirim até as proximidades da Marginal Tietê. Na cotação, ele se assustou. "Deu 50 reais quando o normal seriam 20, no máximo", lamentou.

As dificuldades chegaram às redes sociais com outras queixas sobre alta dos valores. "Greve em SP de novo? Parece que o preço do Uber dobrou", escreveu o internauta Ney Ribeiro. "Acho um absurdo a Uber subir o preço no último porque os ônibus estão em greve", criticou a internauta Taiane. "Esperando o Uber baixar o preço. Eu saí e entrei no app e baixou 8 centavos", ironizou a usuária Rebeca Paiva.

A tarifa dinâmica é um sistema de controle de oferta e demanda dos apps de transporte. Quanto mais solicitações e menos motoristas, maior o preço. Em alguns momentos do dia, como em saídas de eventos e chuvas, a demanda por corridas de aplicativo aumenta rapidamente.

Nesse cenário, alguns usuários decidiram dividir a tarifa. No terminal Bandeira, no centro da cidade, as amigas Natália Pereira, de 24 anos, e Carla Santos, de 26, decidiram compartilhar o transporte até Santo Amaro, na zona sul. O valor ficou em R$ 49. Normalmente, elas usariam o ônibus.

Além da alta nas tarifas, usuários também enfrentaram demora e constantes cancelamentos das viagens solicitadas. "Dia super importante no trabalho. Três Uber cancelaram a corrida. Vou chegar dois minutos antes da reunião", publicou Maria Clara Leal no Twitter.

A greve desta quarta-feira, 29, é a segunda das últimas duas semanas. Apesar de o sindicato patronal ter garantido reajuste salarial de 12,47% na paralisação do dia 14, os trabalhadores afirmam que outras reivindicações, como hora de almoço remunerada e a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), não foram atendidas. Por isso, nova paralisação, afirma a categoria.

O que dizem as empresas de aplicativos

Em nota, a Uber disse que quando a demanda por viagens, em uma determinada área, é maior do que o número de motoristas circulando na região, o preço se torna dinâmico e o valor da viagem pode se tornar mais alto do que o habitual para aquele mesmo trecho. Ainda de acordo com a Uber, essa é uma prática já adotada sempre que há mais demanda em determinadas regiões.

Já a 99 afirma que o valor das tarifas é definido a partir de uma equação que leva em conta demanda e oferta, podendo ter o seu valor final afetado por variantes como: excesso de trânsito, chuva ou aumento de demanda, o que vem sendo verificado no dia de hoje.

Estadão
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