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Grande Fortaleza tem ataques coordenados e explosão em viaduto; governo pede tropas federais

Onze veículos foram incendiados e posto de gasolina foi atacado. Crimes acontecem após declaração de secretário sobre controle de facções. Moro analisa pedido

3 jan 2019
18h05
atualizado às 18h56
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SÃO PAULO E BRASÍLIA - Criminosos incendiaram ônibus e carros e tentaram explodir o pilar de um viaduto e incendiar um posto de combustíveis em uma série de crimes coordenados registrados desde a noite desta quarta-feira, 2, em Fortaleza e cidades da região metropolitana. Os ataques continuaram acontecendo ao longo desta quinta-feira, 3, o que levou à redução na circulação de coletivos, que rodam sob monitoramento policial. Diante disso, o governador Camilo Santana (PT) solicitou ao ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, o envio de tropas federais para controlar a situação.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social cearense, um total de 11 veículos foram incendiados. Até esta tarde, nove suspeitos haviam sido presos por ligação com os crimes e outras três pessoas estavam sob averiguação. O policiamento foi reforçado nos terminais de ônibus e nos principais corredores comerciais e bancários.

Os ataques aconteceram um dia após o novo secretário da Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, ter dito que não reconhecia facções no Estado e que não iria mais separar presos de acordo com a ligação com essas organizações. O secretário, que antes ocupou a secretaria de Justiça no Rio Grande do Norte, prometeu também agir para confiscar os celulares existentes dentro das unidades prisionais e impedir a entrada de novos. Facções como os Guardiões do Estado (GDE) e Comando Vermelho (CV) têm grande atuação dentro e fora dos presídios cearenses.

O primeiro caso aconteceu às 23h22 no bairro Edson Queiroz, em Fortaleza, onde um ônibus foi incediado. Os ataques seguiram durante a madrugada, quando um ônibus no bairro Parque Santa Rosa e uma van no bairro Planalto Caucaia também foram queimados.

Em Caucaia, cidade da região metropolitana, aconteceu uma explosão contra um dos pilares de um viaduto na BR-020. A estrutura ficou bastante danificada, mas o ataque não levou ao desabamento. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) interrompeu o trânsito no local e o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) realizou inspeções no local para verificar o grau de abalo contra a estrutura.

No bairro Damas, um artefato de fabricação caseira foi arremessado contra um posto de combustíveis. Um funcionário conseguiu debelar as chamas e ninguém ficou ferido durante a ação, de acordo com a secretaria.

Os ataques seguiram. No Departamento Municipal de Trânsito (Demutran) de Horizonte, na região metropolitana da capital, suspeitos atearam fogo contra veículos que estavam no pátio da repartição. "Cinco automóveis tiveram perda total e um foi atingido parcialmente", informou a pasta.

No início da tarde desta quinta, suspeitos em duas motocicletas pararam um coletivo na Avenida Cônego de Castro, em Fortaleza, e atearam fogo no veículo. Uma composição do Corpo de Bombeiros foi acionada para debelar o fogo. A Secretaria da Segurança informou que as chamas atingiram parcialmente duas residências e um casal de idosos foi levado, por uma equipe da Força Tática da Polícia Militar, para uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), com ferimentos leves. O motorista do coletivo também foi socorrido, após se acidentar no momento que tentava fugir da ação criminosa.

Já no bairro Barroso II, outro coletivo foi incendiado e teve perda total. Por último, no bairro Vicente Pinzón, as chamas atingiram parcialmente um coletivo na Rua Ismael Pordeus. O fogo foi contido também por um caminhão do Corpo de Bombeiros. Nos dois casos não há informações de feridos.

Medidas estão sendo adotadas, diz governador

Por meio de uma mensagem no Facebook, o governador disse que "todas as medidas estão sendo adotadas através das nossas forças de segurança, para proteger a população e coibir a ação dos criminosos". Ele disse ter determinado reforço de policiamento nas ruas desde a madrugada e, logo após as ações, nove pessoas foram autuadas e outras três estão sob investigação.

"Estive reunido com toda a cúpula da Segurança Pública e Sistema Penitenciário e reforcei minha determinação de continuar agindo com todo o rigor e dentro da lei para coibir as ações criminosas e estabelecer o total controle das unidades prisionais, conforme todo o planejamento que já vem sendo feito no Ceará", acrescentou Santana.

Além de anunciar a nomeação de 220 novos agentes penitenciários e 373 policiais militares, o governador disse ter conversado por telefone com Moro, que, segundo Santana, teria se colocado "à inteira disposição para o apoio necessário". O governador disse ter solicitado ao governo federal reforço de homens da Força Nacional de Segurança, do Exército e da Força de Intervenção Penitenciária Integrada.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública está analisando um pedido do governo do Ceará para o envio de tropas da Força Nacional como reforço à segurança, em meio a uma onda de ataques. Já se encontra em Fortaleza, no entanto, uma equipe de 15 policiais deslocada para o local para a investigação, antes mesmo do início do início desta que é a primeira crise pontual relativa a segurança pública após a posse do presidente Jair Bolsonaro.

O ministro Sérgio Moro e o nome indicado por ele para a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), general Guilherme Teophilo — que foi candidato derrotado nas eleições de outubro ao governo do Ceará pelo PSDB —, se reuniram no fim da tarde desta quinta-feira, 3, para discutir a situação. Os agentes da Força Nacional que já estão em Fortaleza não realizam policiamento ostensivo.

Em posse, Moro prometeu combate a facções

Moro assumiu nesta quarta-feira, 2, o ministério de Justiça e Segurança Pública e prometeu atenção especial à segurança pública, como uma prioridade de sua gestão, além do combate ao crime organizado e à corrupção.

Segundo Moro, serão feitas ações melhorar a qualidade dos presídios federais, para que haja "o absoluto controle das comunicações das lideranças de organizações criminosas com o mundo exterior". Também falou em destravar os investimentos nas estruturas prisionais de Estados e do Distrito Federal.

Estadão
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