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'Falta muita coisa para a Lei Maria da Penha ser 100%'

'Eu vivi essa lei na minha pele.' Leia o depoimento de uma vítima de violência doméstica que recorreu à legislação

7 ago 2021 17h07
| atualizado em 25/8/2021 às 10h04
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Quando conheci meu marido, ele era uma pessoa tranquila. Nunca demonstrou ser um homem agressivo. Hoje, com o conhecimento que eu tenho, percebo que lá atrás ele já dava sinais de ser agressor. Me proibia de coisas que eu gostava de fazer, me podava, eu não podia sair sozinha. E começaram as agressões.

Minha filha, estudante de Direito, me disse: 'Mãe, você não pode aceitar'. Uma agressão deu origem a um vídeo, no final de 2019.

E uma das vezes minha filha chamou a polícia. Resultado: ele ficou 45 dias afastado da gente completamente. Por que eu deixei ele voltar? Passados esses 45 dias, um pastor amigo começou a interferir, fazer uma ponte entre nós e ele, dizendo que meu marido demonstrava arrependimento pelo que fez.

Sobre a Lei Maria da Penha? Com a volta dele para casa, eu fiquei em dúvida sobre como proceder. Eu vivi essa lei na minha pele. Falta muita coisa para ela ser 100%: falta apoio da mulher, falta comunicação do que está acontecendo, das etapas que o agressor está vivendo. Por exemplo: avisar que ele está com alvará de soltura.

A lei foi válida no momento que eu cheguei na delegacia, me trataram bem, me senti acolhida, mas quando saí me senti abandonada. Mesmo aceitando-o de volta, ele vai ser julgado, porque o Ministério Público entendeu que é um perigo para a sociedade. Não há previsão. Se for condenado, pode chegar a 5 anos de regime fechado.

*Para entender: a professora G. F. R. S, de 45 anos, é moradora de Belo Horizonte

Estadão
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