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'Estava no local errado, na hora errada', diz mãe de jovem morto

Vítima tinha 16 anos; nove morreram durante ação policial em comunidade da zona sul de São Paulo

1 dez 2019
16h29
atualizado às 16h50
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A vendedora Maria Cristina Quirino Portugal estava com raiva do filho Denys Henrique Quirino da Silva, de 16 anos. Ele havia saído para trabalhar na tarde do sábado (30) e até a manhã do domingo (1º) não havia dado notícia. A informação do seu paradeiro veio do pior modo possível: o hospital telefonou informando sobre a morte do jovem em tumulto no baile funk de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. Mais oito pessoas morreram na confusão, que começou após a chegada do PM no local. 

Rua de Paraisópolis
Rua de Paraisópolis
Foto: Reprodução Google Street View / Estadão Conteúdo

Moradora do Limão, na zona norte, onde vive com os quatro filhos, Maria Cristina não entendeu como o filho foi parar em um baile funk tão longe de casa. "Ele saiu para trabalhar e não voltou. Até eu receber a ligação do hospital, eu estava brava com ele e isso só passou quando o vi gelado no IML (Instituto Médico-Legal)", disse a mãe da vítima, em frente ao 89º Distrito Policial (DP), onde o caso está sendo investigado. Ela acredita que era a primeira vez que o filho, que era auxiliar de serviços gerais em uma loja de tapetes, tinha ido a esse baile. 

Maria Cristina contou que cresceu na Brasilândia, na zona norte, onde a muvuca de bailes funks a incomodava bastante. Sobre a ação policial, porém, acredita que poderia ter sido feita de forma a evitar a confusão. "Nasci e cresci em periferia e sei que nem todo mundo ali é bandido. Ao contrário. Sou a favor da polícia, mas isso que aconteceu não poderia ter acontecido, sou cidadã. A estratégia tem de ser diferente, sem bala de borracha, sem gás. Tem de acabar com os bailes antes de começarem. Caso contrário, outras mães vão perder seus filhos", disse.   

O corpo do seu filho, contou, não tem nenhuma marca mais expressiva que pudesse explicar a morte, como alguma perfuração de tiro, o que para ela torna plausível a explicação de pisoteamento. "Não tem marca de nada, mas ele não conseguiu se defender", lamentou. "Estou vazia. Ele estava no local errado, na hora errada."  

Ela classificou o temperamento do filho, a quem chamou de teimoso, como difícil e problemático na escola. Por faltas, foi desligado de um colégio, mas a mãe tentava uma nova vaga em outra instituição. Para o futuro, seu plano era se alistar no Exército. "Cansei de falar para deixar de andar com más companhias, mas não adiantou."

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Estadão
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