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'É um povo que vive em uma intensa busca do que não tem reparo', diz bispo de Brumadinho

Vicente Ferreira escreveu livro sobre a tragédia. Por meio de prosa e poesia, reflete sobre evento que marcou a cidade

24 jan 2022 05h10
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A região de Brumadinho ainda vem passando por um cenário desafiador de luta e sofrimento. É o que conta ao Estadão dom Vicente Ferreira. Segundo ele, o trauma não tem passado. "Está sempre vivo na gente. O que aconteceu em 2019 é um absurdo tremendo, que jamais poderia acontecer. É um povo que vive em uma intensa busca do que não tem reparo." Emocionado, o bispo relembra da tragédia que, em suas palavras, "esfacelou a cidade, a vida de comunidade ribeirinhas, suas famílias, cultivos, patrimônio e história".

Autor de Brumadinho - 25 é todo dia, publicado esse ano pela Expressão Popular, ele busca trazer, por meio de prosa e poesia, reflexões sobre a tragédia de Brumadinho - que transformou para sempre sua vida. Com a linguagem carregada de afetos, a obra revela o luto e a luta em uma caminhada de fé e vida. "Alguém um dia me perguntou: por que ficar recordando sempre disso? Lembro para que nunca seja esquecido que esse crime jamais poderia ter acontecido. Ele matou 272 pessoas e destruiu a bacia do Paraopeba.

"O livro tem o olhar de quem está na lama junto ao povo de Brumadinho e não de quem vê de fora", desabafa o bispo. "Estamos aí, em mais um início de ano, vendo a chuva matando a nossa comunidade. Brumadinho virou lama de novo. Porque enchente em Minas não é só de água da chuva, é de rejeito de minério, com resíduo tóxico."

Sem Superação

Andressa Rodrigues, de 44 anos, perdeu seu filho único no rompimento da barragem. Bruno Rodrigues, de 26 anos, era engenheiro de produção e técnico em mineração e trabalhava na Vale desde agosto de 2018. "Ele foi contratado pouco antes da tragédia".

Hoje, ela tenta engravidar, pois conta que seu sonho e do marido, é poder ter outro filho. "Estou tentando, mas ao mesmo tempo, cuidando da minha saúde mental. Pois diante de tanta impunidade e injustiça, não conseguimos sair desse ciclo da perda. Esperei cinco dias pelo corpo do meu filho, e têm mães à espera há três anos. É dor coletiva."

Estadão
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