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'É importante estarmos todos na luta antirracista', disse CEO do Carrefour em livro antes de morte 

Distribuição de 'A empresa antirracista', livro que traz entrevistas com altas lideranças de empresas, foi suspensa pela editora após a morte de João Alberto em Porto Alegre. Noël Prioux, do Carrefour, era um dos entrevistados

25 nov 2020
05h11
atualizado às 06h41
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A Ediouro suspendeu o lançamento do livro A Empresa Antirracista - Como CEOs e Altas Lideranças Estão Agindo Para Incluir Negros e Negras nas Grandes Corporações, que estava começando a ser distribuído para as livrarias quando João Alberto Silveira Freitas, um cliente negro do Carrefour, morreu em uma loja da rede francesa, em Porto Alegre, na noite de quinta-feira, 19, véspera do Dia da Consciência Negra, após ser espancado e asfixiado por seguranças da empresa. Um dos entrevistados do livro é Noël Prioux, CEO do Carrefour.

A Empresa Antirracista está indisponível para compra online, mas o Estadão conseguiu comprar um exemplar em uma livraria de São Paulo. Segundo a editora, poucas cópias foram distribuídas e serão recolhidas.

"Eu acredito que seja importante estarmos todos na luta antirracista para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, com valorização da diversidade e igualdade de oportunidade para todas as pessoas. Uma sociedade justa é baseada e firmada no respeito." Essa foi a resposta dada por Noël Prioux quando o jornalista Maurício Pestana perguntou por que ele achava importante se engajar na luta antirracista.

A entrevista foi concedida no dia 10 de agosto de 2020, três meses antes do assassinato de João Alberto em uma loja do Carrefour, e, nela, autor e entrevistado discutem iniciativas para combater o racismo e, mais especificamente, falam sobre como o Carrefour vem lidando com a questão da diversidade na contratação de seus funcionários.

Abrindo a entrevista, Pestana questiona os motivos que levaram a rede a atentar para a questão da diversidade no Brasil. Prioux diz que o propósito da empresa é "cuidar e valorizar todas as pessoas, zelando pela boa qualidade das relações que mantemos com todos". Ele comentou ainda que a empresa se "compromete em atuar em conformidade com normas internacionais e nacionais de direitos humanos, além de boas práticas de responsabilidade social".

Mais adiante, ainda respondendo a essa questão, Prioux diz que o Carrefour escolheu quatro temas prioritários em seus investimentos de políticas afirmativas, que ele lista nesta ordem: "diversidade sexual, diversidade de gênero, inclusão de pessoas com deficiência e diversidade racial". Ele explica que o objetivo, ao investir na diversidade racial, é aumentar a empregabilidade de pessoas negras e acelerar o número de profissionais negros chegando em cargos de liderança.

A entrevista é, basicamente, sobre a presença de pessoas negras no ambiente corporativo. O CEO do Carrefour fala em "trabalhar diariamente a cultura do respeito" e na importância de "trazer toda a organização" para a construção de uma agenda de inclusão racial.

João Alberto Silveira Freitas tinha ido fazer compras com a mulher no Carrefour do bairro Passo D'Areia, em Porto Alegre, na noite de quinta-feira, 19. Foi espancado e morto por dois seguranças da Carrefour, presos em flagrante. Ele tinha 40 anos. Protestos se espalharam pelo Brasil e grupos pedem boicote ao Carrefour.

Em nota, a Ediouro diz que a decisão de suspender o lançamento foi tomada pela empresa em conjunto com o autor. Publicada pelo selo Agir, a obra traz ainda entrevistas com nomes como Luiza Trajano (Magazine Luiza), Maria Angela Jesus (Netflix), Gustavo Werneck (Gerdau), entre outros.

"A decisão do grupo editorial foi tomada em conjunto com o autor do livro depois dos graves acontecimentos ocorridos em 19 de novembro, dia em que João Alberto Silveira Freitas, um homem negro, foi morto por seguranças de uma loja do Carrefour em Porto Alegre. Com esta ação, a Ediouro presta sua solidariedade à família da vítima neste momento de enorme tristeza."

Procurado pelo Estadão, o Carrefour não se manifestou.

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Estadão
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