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Direção de escola cívico-militar no Rio é exonerada após críticas a cerimônia com alunos

Estudantes perfilados no pátio repetiram frases ditadas por funcionário. Sindicato vê tentativa de 'doutrinação' em unidade na zona norte da capital fluminense

25 mai 2021 19h26
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RIO - A secretaria municipal de Educação do Rio de Janeiro exonerou nesta terça-feira, 25, a direção da escola municipal Cívico-Militar Carioca General Abreu, situada no bairro do Rocha (zona norte), por desrespeito ao protocolo sanitário e conduta incompatível com o ambiente escolar.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram estudantes aglomerados no pátio da escola, durante hasteamento de bandeiras
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram estudantes aglomerados no pátio da escola, durante hasteamento de bandeiras
Foto: Reprodução/@MonicaFPsol / Estadão

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram alunos dessa escola perfilados no pátio, durante uma cerimônia de hasteamento de bandeiras realizada nesta terça-feira. Aglomerados, os alunos são obrigados a repetir frases ditas por um adulto: "Muitos querem, mas não podem / Nós queremos e podemos / Nós somos nós e o resto é o resto / Brasil acima de tudo, abaixo de Deus".

O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Estado do Rio de Janeiro (Sepe-RJ) recebeu imagens e vídeos da cerimônia e fez uma denúncia ao Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ), à Comissão de Educação da Câmara de Vereadores e à secretaria municipal de Educação (SME).

"O Sepe alerta para a tentativa de criação de uma rede de ensino à parte da rede municipal de educação, com unidades militarizadas que submetem seus alunos à doutrinação, retirando deles a individualidade e a capacidade de autodesenvolvimento. O sindicato entende que este modelo de escola, além de não atender a diversidade, não contribui para a formação de cidadãos com capacidade crítica", afirma em nota o sindicato, que estuda medidas jurídicas a serem adotadas.

A escola foi inaugurada em 14 de agosto de 2020 e atende cerca de 560 alunos do 6° ao 9° ano do Ensino Fundamental, em turno único de oito horas, das 7h30 às 15h30. A unidade integra o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares, do governo federal. Segundo esse sistema, militares atuam no apoio à gestão escolar e à gestão educacional, enquanto professores e demais profissionais da educação continuam responsáveis pelo trabalho didático-pedagógico.

Estadão
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