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Demitido, ex-presidente da Cedae não responde a deputados e abandona sessão na Alerj

Hélio Cabral foi exonerado do cargo nesta segunda-feira, 10, pelo governador Wilson Witzel; desde o começo do ano, população reclama do gosto e odor da água que sai das torneiras

11 fev 2020
12h53
atualizado às 20h52
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RIO - Exonerado pelo governador Wilson Witzel (PSC) do comando da Cedae na segunda-feira, 10, o ex-presidente da estatal de águas do Rio de Janeiro Helio Cabral compareceu na manhã desta terça, 11, a uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Ele fez um balanço da sua gestão, negou-se a responder perguntas e deixou o plenário tão logo começou a receber críticas. Ele chegou a ser xingado pela deputada Lucinha (PSDB) que o chamou de "cagão"; outros parlamentares também protestaram.

Helio Cabral foi exonerado do comando da Cedae
Helio Cabral foi exonerado do comando da Cedae
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil / Estadão

O agora ex-presidente fez uma exposição de sua gestão baseada em números. Justificou a demissão de funcionários alegando que eles recebiam supersalários. Atribuiu à falta de investimentos do passado na companhia a proliferação de geosmina - substância orgânica liberada por algas disseminadas pelo despejo de esgoto e que desde o início do ano afeta a cor e o gosto da água que abastece o Estado.

"Estamos aplicando argila na lagoa e carvão ativado", disse Cabral. "Esses produtos são usados no mundo inteiro, Reino Unido, Alemanha, Brasil, e a Cedae sequer estava preparada para fazer esse tipo de tratamento."

A apresentação de Cabral foi interrompida pelo presidente da sessão, Gustavo Schmidt (PSL), que também comanda a Comissão de Saneamento Ambiental.

"Ninguém mais aguenta esse discurso do senhor. O dinheiro da Cedae está no caixa da Cedae, quando devia estar sendo investido debaixo da terra", discursou Schmidt.

Na sequência, Cabral pediu para ler um pronunciamento. Nele, agradeceu ao governador Wilson Witzel (PSC) por ter presidido a Cedae e, depois, informou que não responderia às perguntas dos deputados. "Isso deve ser feito pelo próximo presidente (da companhia)", justificou. A postura irritou os parlamentares. "Isso é uma falta de respeito a esse parlamento e à população", bradou Gustavo Schmidt. "É uma vergonha o senhor ter estado à frente da Cedae por um ano."

Nesse momento, Cabral levantou-se e foi embora. Revolta, a deputada Lucinha (PSDB) pegou o microfone e pediu que os trabalhos prosseguissem. "Se o presidente (da Cedae) é um cagão e foi embora, nós não somos. Vamos continuar discutindo", disparou.

Correria

Cabral saiu da sede da Alerj correndo. Jornalistas tentaram segui-lo, mas um segurança da Alerj fechou a porta por alguns segundos, até que o ex-presidente da Cedae embarcasse em um carro, o que impediu a abordagem. Em nota, a Assembleia informou que a decisão da segurança da Casa "teve o objetivo de preservar a integridade" de Cabral, que "foi seguido por manifestantes ao deixar o plenário".

Na porta da Alerj, integrantes da ONG Meu Rio aguardavam para oferecer "água da Cedae" a Cabral. Como ele saiu correndo, os manifestantes correram atrás do veículo em que ele embarcou e jogaram a água suja sobre o carro.

Além dos problemas na Cedae, com a proliferação de geosmina e uma interrupção da captação da água, no sistema Guandu, por 14 horas por causa da presença de detergente na água, fotos de Cabral em uma suposta festa também podem ter contribuído para sua demissão. As imagens foram divulgadas pelo "Jornal Atual Rio" e mostram Cabral numa banheira, junto com amigos. O evento teria acontecido no dia 12 de janeiro, nove dias após o início da crise da água, em uma cobertura na Barra da Tijuca (zona oeste).

Nesta terça-feira, 11, o Estado tentou ouvir Cabral sobre essas imagens, mas até a publicação desta reportagem não havia conseguido.

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Estadão
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