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'Deixa Ela Estudar', o quarto episódio da nova websérie do Estadão

Meninas e especialistas comentam os desafios do acesso à educação para mulheres

7 nov 2019
15h07
atualizado às 15h16
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SÃO PAULO - As mulheres começaram o século 20 analfabetas e terminaram com mais anos de escolarização do que os homens. Apesar disso, elas ainda enfrentam desafios que dificultam sua permanência nos estudos e que refletem em suas escolhas profissionais. Este é o tema do quarto episódio da série Deixa Ela.

Dados do último Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), de 2015, mostraram que mais meninas (43%) do que meninos (34%) apresentam interesse em seguir carreiras que incluem ciências. Por outro lado, têm desempenho pior do que o dos garotos nessa disciplina.

"Enquanto eles seguem para engenharia e matemática, elas ainda são direcionadas para as eternas 'profissões de mulher', como pedagogia, psicologia e enfermagem", explica Hildete Pereira, coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Gênero e Economia (NPGE) da Universidade Federal Fluminense (UFF). "São paradigmas de gênero. A própria sociedade e a família fazem isso", diz Maria Inês Rodrigues, coordenadora do projeto Ciência Menina, Menina Ciência, da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Hoje com 22 anos, a estudante de geologia Bianca Alessandra de Faria conhece bem essa história. "Já fui indagada várias vezes pela minha família: 'Você não prefere ir para o mundo corporativo?' ou 'Por que não fazer medicina em vez de geologia?'"

A falta de referências femininas em ciências e nas áreas de exatas é outro fator que afasta as garotas de carreiras tidas como masculinas - e mais valorizadas no mercado de trabalho. "A adolescência é um bom momento para explorar os sonhos e aptidões das jovens", afirma Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (CEIPE/FGV). "É muito interessante dar para a menina a noção de que ela vai ser o que ela sonhar."

A websérie Deixa Ela marca o aniversário de um ano de Capitu, o site do Estadão para mulheres, e está sendo realizada em parceria com o Facebook e o International Center for Journalists (ICFJ). Até dezembro, serão lançados semanalmente episódios em vídeo, complementados por especial multimídia, material extra para redes sociais e entrevistas na edição impressa do Estadão.

Estadão
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