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Covas deve trocar 23 dos 32 subprefeitos de São Paulo

Mudança seria para dar mais sua 'cara' à gestão e para acomodar aliados tucanos sem mandato

10 dez 2018
03h11
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SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), deve trocar 23 dos 32 subprefeitos da capital paulista nas próximas semanas, em um processo iniciado tanto para consolidar sua "cara" na gestão iniciada pelo antecessor, o governador eleito João Doria (PSDB), quanto para fortalecer seu papel de liderança dentro de seu partido político. Os convites para os futuros responsáveis pelas administrações regionais vêm sendo feitos há duas semanas.

A seleção de nomes está ocorrendo dentro do próprio PSDB. Covas está convidando filiados de "perfil jovem", segundo seus auxiliares, mas que já tenham alguma experiência política. Está dando preferências para tucanos que tenham ocupado cargos públicos, com base eleitoral consolidada, mas que não conseguiram se eleger nas últimas eleições para deputado estadual e federal. Nesta condição, estariam nomes como o deputado estadual Carlos Bezerra Júnior, que não obteve a reeleição, e o ex-secretário estadual de Assistência Social Floriano Pesaro.

"Tenho muita afinidade com o projeto político do Bruno. Mas minha especialidade é a área social e, neste momento da vida não me via em condições de colaborar nas regionais", disse Pesaro, ao explicar porque não aceitou o convite. "É uma coisa de perfil".

Dentre os nomes que já teriam falado "sim" estão Sandra Santana, ex-chefe de gabinete do cacique Celino Cardoso, derrotada na disputa para a Assembleia Legislativa e já foi subprefeita na gestão municipal de José Serra. Outro nome seria de Fabrício Cobra, ex-secretário estadual de Turismo. Haveria conversas em andamento ainda com o ex-deputado Ramalho da Construção. Nenhum dos três foram localizados ontem para comentar.

Negociações. Esse novo mapa das subprefeituras está sendo feito sem envolvimento da Câmara Municipal. Historicamente, os parlamentares pleiteiam - e conseguem - nomear os chefes das subprefeituras dos bairros onde têm redutos eleitorais. "Não há negociação com a Câmara. O prefeito, conforme ver a necessidade de fazer substituições, vai fazer unilateralmente", disse o secretário da Casa Civil de Covas, João Jorge, que também tucano que tem a missão de intermediar as relações entre a Prefeitura e o Legislativo.

Os aliados, entretanto, terão menos margem para emplacara ações que os beneficiem politicamente. Todas as 32 subprefeituras perderam verbas na proposta de orçamento anual para o o an que vem, que ainda está sendo discutida na Câmara. A Sé, por exemplo, regional com a maior receita de gastos, neste ano tinha orçamento de R$ 70,9 milhões e deve ficar com R$ 61,6 milhões para 2019, se a proposta for mantida. Os recursos tirados das regionais foram transferidos para áreas como Saúde e Educação.

Atritos. Responsáveis principalmente pela zeladoria urbana - a limpeza de ruas, canteiros, podas de árvores e alguns serviços de recapeamento - as subprefeituras são área sensível na Prefeitura, uma vez que esses serviços costumam ser mal avaliados.

Além disso, é uma área que costuma se foco de denúncia de corrupção, que perpassam as gestões municipais. Doria, por exemplo, demitiu em junho do ano passado a chefia de gabinete da Subprefeitura da Lapa, na zona oeste, e 14 servidores daquela regional e de outras após uma reportagem da rádio CBN revelar um esquema de corrupção para a liberação de propagandas que desrespeitavam a Lei Cidade Limpa.

Estadão

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