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Com chuva e sem shows, Copacabana fica vazia em noite de réveillon

Restrições por causa da covid-19 e queda na temperatura esvaziaram quiosques

31 dez 2020
21h29
atualizado às 21h30
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Em vez dos cerca de 2 milhões de turistas que a cada 31 de dezembro lotavam a praia de Copacabana, na zona sul do Rio, na principal festa de réveillon do país, a última noite deste ano no bairro carioca, nesta quinta-feira, 31, foi de ruas relativamente vazias, silêncio e chuva. Sim, o tempo ajudou: desde o fim da tarde ocorreram duas fortes pancadas de chuva, e às 20h uma garoa fina insistia em espantar os poucos turistas que teimavam em circular pelas ruas.

"Decidimos vir para o Rio exatamente por saber que não haveria festa. Tenho uma filha pequena e seria impossível passear com aquela multidão habitual do réveillon. Estamos nos cuidando, mas precisávamos espairecer, sair de casa um pouco", contou o bancário Marco Túlio Nogueira, de 29 anos, paulistano que viajou para o Rio com a mulher e a filha de 4 anos e está hospedado em um hotel de Copacabana.

Por volta das 18h, o trio jantava em um restaurante na rua Rodolfo Dantas - via que, em qualquer 31 de dezembro "normal", é interditada aos carros já durante a tarde, porque liga a estação de metrô ao ponto da praia onde habitualmente é montado o principal palco dos shows musicais, em frente ao hotel Copacabana Palace. Em vez da multidão de turistas e dos vendedores ambulantes, desta vez a rua esteve vazia - o metrô fechou as portas às 20h, mesmo horário em que o trânsito foi fechado a carros, táxis e ônibus em todo o bairro. Não se ouvia música em nenhum dos bares que se mantiveram abertos na rua Rodolfo Dantas.

Os quiosques foram autorizados pela prefeitura a funcionar, desde que sem música, sem fogos de artifício e sem cobrar ingresso. Com essas restrições e mais a chuva, o que se viu foram quiosques mais vazios do que em qualquer noite de sábado de calor. Muitos quiosques nem abriram - alguns estavam até bloqueados com grades - e os poucos que funcionaram atraíram raros clientes até as 21h. Em um dos quiosques, a maior mesa era de funcionários de uma loja de departamentos que encerrou o expediente às 20h. "Viemos comemorar o fim do ano. A essa altura nem compensa ter pressa pra voltar pra casa, vamos brindar primeiro juntos, depois com a família", contou Andressa Soares, de 23 anos, uma das ocupantes da mesa.

Com a chuva, até a estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, situada na altura do posto 6 e que tradicionalmente atrai turistas que fazem fila para tirar fotos com o monumento, estava solitária. Por pelo menos 10 minutos, a partir das 19h45, ninguém se aproximou para tirar fotos com o poeta, segundo cronometrou a reportagem.

Se Copacabana estava quase deserta no início da noite, Ipanema, o bairro vizinho, registrou aglomerações no fim da tarde. Por volta das 18h30, centenas de pessoas se reuniam na areia, na altura da rua Farme de Amoedo. A multidão acabou se dispersando com a chuva.

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Estadão
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