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Com 1,5 mil vítimas, São Paulo tem primeira alta semestral de homicídios em sete anos

Dados foram divulgados nesta sexta-feira pela Secretaria da Segurança Pública, que diz analisar os registros. Crescimento surpreende por ocorrer em meio à quarentena imposta pela pandemia do novo coronavírus

24 jul 2020
22h08
atualizado às 22h11
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O número de pessoas assassinadas no Estado de São Paulo nos primeiros seis meses do ano chegou a 1.522, equivalente a oito mortes por dia. A quantidade de vítimas é 4% maior em relação ao dado do mesmo período do ano passado, o que interrompe uma redução que vinha ocorrendo ininterruptamente desde 2014. O crescimento surpreende ao acontecer em meio a medidas de isolamento social implementadas no Estado desde o fim de março, período em que as ações policiais também se tornaram mais letais e bateram recorde.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 24, pela Secretaria da Segurança Pública. Do total de homicídios, 719 aconteceram em cidades da Grande São Paulo, incluindo a capital, enquanto outros 803 foram registrados no interior e no litoral do Estado. A pasta diz que a alta é objeto de estudo e causa preocupação por ser o crime mais grave e representar vidas perdidas. Mas a gestão do governador João Doria (PSDB) destaca que o Estado permanece com a menor taxa proporcional do Brasil, abaixo de 7 por 100 mil habitantes.

São Paulo diminui consistentemente os números de homicídio desde o ano de 2001. De lá para cá, somente em três anos os assassinatos do primeiro semestre superaram o do período anterior: 2009, 2012 e 2013. Agora, 2020 passa a integrar esse grupo. Foi, portanto, a primeira alta semestral em sete anos. Ainda assim, o Estado permanece desde 2015 abaixo do patamar dos 2 mil casos.

Relatório elaborado pela Secretaria da Segurança Pública mostra que 85,6% das vítimas são homens e 12,9% são mulheres. Pardos e pretos respondem por 50,4% dos assassinados, porcentagem que é completada por 44,6% de brancos e 4,9% classificados como outros. A maior parte desses crimes é classificado como "conflitos interpessoais", o que corresponde a 35,5% dos registros até aqui no ano; 87 registros foram definidos como feminicídio.

Uma das vítimas do semestre passado foi o adolescente Guilherme Silva Guedes, de 15 anos. Na madrugada de 14 de junho, ele foi sequestrado da rua da casa da avó, na Vila Clara, zona sul de São Paulo, e executado com dois tiros na cabeça. A Polícia Civil tem como principal suspeito um sargento da Polícia Militar e um ex-policial expulso da corporação. "Andamos com medo na rua. Antigamente nós tínhamos medo de bandidos e assaltos. Hoje, temos medo dos policiais", disse a tia da vítima ao Estadão neste mês.

Assim como no caso de Guilherme, a polícia vê indícios de execução em 19% das mortes violentas no Estado. O número é um média dos últimos seis meses, mas tem aumentado recentemente. Em junho, a porcentagem chegou a 24% dos casos.

O secretário executivo da Polícia Militar, coronel Álvaro Batista Camilo, disse que a secretaria atua com operações frequentes para combater o crime. As grandes ações contra tráfico de drogas, por exemplo, tem efeito sobre os crimes contra a vida cometidos neste contexto. "Temos um trabalho muito forte para tirar arma de fogo de circulação", acrescentou Camilo, que ressalta a queda de outros indicadores ao longo do semestre.

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Estadão
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