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Chuva derruba árvores e causa alagamentos em SP; mulher está desaparecida

Bairros nas zonas leste e norte foram os mais atingidos na tarde desta terça

12 mar 2019
17h55
atualizado em 13/3/2019 às 02h37
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SÃO PAULO - A forte chuva que voltou a cair sobre a capital paulista na tarde desta terça-feira, 12, derrubou árvores, causou alagamentos e o transbordamento de córregos. As zonas norte e leste foram as mais afetadas. Também choveu em cidades da Região Metropolitana como Guarulhos e Ferraz de Vasconcelos. Uma mulher está desparecida após ser levada pela correnteza, na zona leste. No dia anterior, o temporal deixou pelo menos 13 mortos na cidade e na Grande São Paulo.

No fim da tarde desta terça, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da Prefeitura de São Paulo, colocou parte da cidade em estado de atenção para alagamentos. Às 18h20, o estado de atenção se referia a algumas subprefeituras da zona leste, à zonas norte e oeste, à Marginal do Tietê e ao centro da cidade. Às 18h50, o alerta foi encerrado.

Na zona norte, o Córrego Paciência, no Tremembé, transbordou no fim da tarde, alagando a Avenida Edu Chaves. Também houve o transbordamento do Córrego Mandaqui, na Casa Verde, na altura da Avenida Engenheiro Caetano Álvares com a Rua Zilda, no início da noite. Motoristas registraram em vídeos os alagamentos na zona norte. Assista:

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Além da capital paulista, também foram registradas pancadas de chuva nas regiões de Itapecerica da Serra, Suzano, Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, e Mauá, na Região Metropolitana. Segundo a Defesa Civil, havia risco de queda de granizo. O órgão orientou moradores a buscar abrigos e evitar áreas abertas.

O CGE indicou que as chuvas fortes desta terça foram formadas pelo calor e pela alta umidade. Nas primeiras horas da tarde, a temperatura subiu rapidamente e os termômetros do CGE chegaram a marcar 30,1°C. Os índices de umidade do ar ficaram acima dos 45%.

Vítimas

Na Rua Valentim Lemos, no Lajeado, na zona leste da capital paulista, uma mulher de aparentemente 35 anos tentava tirar um cachorro do rio quando caiu e foi levada pela correnteza. Os bombeiros fizeram buscas nas margens no início da noite desta terça, mas a vítima não havia sido localizada até as 19 horas. As buscas deverão ser retomadas nesta quarta.

Na zona norte, uma árvore caiu sobre um veículo com um ocupante na esquina da Avenida Nova Cantareira com a Leôncio de Magalhães, no Tucuruvi. Ninguém se feriu. Segundo o Corpo de Bombeiros, de meia-noite até as 18h40 desta terça-feira, foram recebidos 62 relatos de quedas de árvores, 31 de alagamentos e 10 de desabamentos e desmoronamentos na capital e Grande São Paulo.

Transtornos

Por causa da chuva, a linha 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) operava no início da noite desta terça com velocidade reduzida entre as estações Engenheiro Goulart e Aeroporto de Guarulhos. Já o Metrô tinha funcionamento normal.

O índice de congestionamento estava dentro da média para o horário na capital paulista. Às 19h30, 8,8% das vias monitoradas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) apresentavam lentidão. A média superior para o horário é de 8,9%. A zona norte da cidade era a que apresentava mais quilômetros de congestionamento às 19h30.

Prejuízos da chuva anterior

Nesta terça-feira, moradores de áreas atingidas pelo temporal que atingiu a cidade na noite de domingo e madrugada de segunda ainda calculavam os prejuízos. Os irmãos Raoni Santos Ignácio, de 23 anos, Raíssa Santos, de 19, e a filha dela, de 10 meses, moradores do centro de São Caetano do Sul, no Grande ABC, perderam seus pertences na enchente.

Raíssa contou que a água da chuva cobriu os cômodos da casa. Além dos documentos, a família perdeu todos os eletrodomésticos, roupas, alimentos, fralda, camas, berço e colchões. "A água inundou a nossa casa a partir das 21 horas de domingo. Foi tudo muito rápido. Entramos em contato com os bombeiros, mas eles falaram que estavam dando preferência para os casos mais graves", disse.

A família é moradora do local há 20 anos e nunca viu uma enchente como aquela. "Desde a manhã desta terça-feira, estamos realizando a limpeza do imóvel. Está tudo cheio de lama e sujeira. Nós recebemos algumas doações de alimentos e roupas e estamos dividindo com os outros vizinhos que tiveram suas casas invadidas pela água."

O publicitário Ítalo Serafim Camargo, de 35 anos, teve seu carro inundado pela água da chuva que invadiu o estacionamento do Central Plaza Shopping, na zona leste da cidade. Camargo contou que ele e mais dois amigos deixaram os veículos estacionados no shopping para utilizarem o transporte público rumo aos blocos de carnaval.

"Na volta, por volta das 21 horas, pegamos um motorista de aplicativo e ficamos ilhados cerca 12 horas no Viaduto Grande São Paulo. O meu veículo, um Ford Fiesta, ficou tomado pela água até o painel. Hoje acionei o guincho e o seguro para avaliação dos danos", disse Camargo.

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Estadão
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