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Brasília tem dias agitados em plena pandemia

A capital federal foi uma das primeiras regiões a fechar escolas e comércio na pandemia, mas encaminha abertura de diversos serviços

5 jul 2020
18h14
atualizado às 18h38
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BRASÍLIA - Em pleno avanço da covid-19, o Distrito Federal tem tido dias agitados. Embarcações de diversos portes, além de praticantes de windsurf, kitesurf, e outras modalidades, compõem nos finais de semana o cenário do Lago Paranoá, criado junto da capital federal.

Unidade federativa de maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita, o DF apresenta a quarta maior frota náutica do País, com mais de 50 mil embarcações. Além da movimentação no Lago, aglomerações também foram vistas neste fim de semana na via conhecida como "eixão", que atravessa o Plano Piloto e costuma ser fechada para carros aos domingos e feriados, transformando-se em uma área de lazer. Imagens exibidas pela TV Globo mostram pessoas próximas e sem máscaras.

A capital federal foi uma das primeiras regiões a fechar escolas e comércio na pandemia, mas encaminha abertura de diversos serviços, mesmo com o avanço da doença, principalmente, para a periferia. Na quinta-feira, 2, o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), decretou a reabertura de escolas, bares, restaurantes e salões de beleza, de forma escalonada até o fim de julho.

Ibaneis antecipou a medida em entrevista ao Estadão na segunda-feira, 30, quando minimizou o risco de sobrecarregar hospitais após a retomada de atividades. "Vai lotar nada. Vai ser tratado como uma gripe, como isso deveria ter sido tratado desde o início", disse.

O índice de isolamento social no Distrito Federal atingiu o ápice (65,6%) em 22 de março, mas está em 40,9% neste domingo, 4, segundo a empresa InLoco, que usa dados de localização de celulares. O porcentual é próximo ao registrado em 19 de março, quando havia 42 casos confirmados da doença na capital federal.

Segundo boletim do Ministério da Saúde de sábado, 4,o DF acumulava 55.760 casos e 671 mortos pela covid-19.

Os dados mais detalhados, fornecidos pelo governo local, mostram avanço da doença para regiões mais pobres. Em 3 de maio, a região do Plano Piloto, onde ficam as sedes dos Poderes, tinha 244 casos, enquanto Ceilândia, mais pobre, 77. Dois meses mais tarde, o Plano tem 3.784 casos e Ceilândia, 7.397.

O governador afirma que tem leitos de sobra para atender pacientes da covid-19. A real ocupação de leitos do DF, no entanto, está sob questionamento. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) afirmou no fim de junho que estão errados os dados da capital sobre a rede pública. Segundo o órgão, entre aqueles dias a taxa real era superior a 90%, enquanto o governo aponta cerca de 60%. Para o MP, o governo local tem considerado "vagos" os leitos que estão bloqueados por falta de equipes ou insumos.

Segundo dados oficiais, 92,41% dos leitos de UTI reservados para a covid-19 na rede privada estão ocupados. Em hospitais públicos, a taxa seria de 76%. A considera leitos ocupados e vagos, excluindo os "bloqueados ou aguardando a liberação".

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do DF, Gutemberg Fialho, não basta aumentar o número de leitos para retomar atividades. Ele afirma que mais profissionais têm saído da linha de frente do combate à doença, por se contaminarem. A entidade defende um "lockdown" imediato para conter o aumento de incidência do vírus. "Pode ser impaciente com qualquer coisa, menos com a defesa da vida. Não podemos banalizar a vida", disse, em reação à entrevista de Ibaneis ao Estadão.

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Estadão
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