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Brasileiros fãs de K-Pop lotam Festival de Cultura Coreana no Bom Retiro

Festa no Bom Retiro teve arte e gastronomia do país asiático, mas maioria dos visitantes queria mesmo era dançar ao som do ritmo local; fãs até aprendem coreano para assimilar melhor as músicas

11 ago 2019
20h29
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Gritos, trechos de músicas cantadas em coro, ensaios de coreografias. Embalada por hits do K-Pop - expressão que designa mundialmente a música pop coreana -, era de pura festa a atmosfera reinante nos acessos à estação Tiradentes do metrô, neste fim de semana, durante a realização do 13º Festival da Cultura Coreana.

O evento, que se propõe a apresentar aspectos da cultura, da arte e da gastronomia do país asiático, comemorou neste ano o sexagésimo aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre Coreia do Sul e Brasil, além dos 56 anos do início da imigração para o País.

O palco da festa foi a praça Coronel Fernando Prestes, no Bom Retiro, bairro que funciona hoje como uma espécie de centro nevrálgico da comunidade coreana na cidade, concentrando muitos de seus restaurantes, centros comerciais e lojas de moda.

"Aqui, o visitante pode, de fato, vivenciar uma experiência coreana a 360 graus", disse o coreano Chan Wook Min, da Associação Brasileira de Coreanos, uma das entidades promotoras do evento, que estima ter recebido neste ano cerca de 30 mil pessoas. A maioria dos visitantes, porém, não era de coreanos ou seus descendentes, mas brasileiros aficionados pelo gênero musical.

"Embora nosso festival não tenha sido direcionado para os fãs do K-Pop, não posso ignorar o papel deste público como difusor da nossa cultura. Existe algo de energético, de paixão neste gênero musical que é contagiante para o público de todas as idades. Especialmente para o brasileiro", afirmou Min.

O organizador providencialmente agregou à programação, além de grupos de sucesso da cena coreana atual, a apresentação do pastor brasileiro, de origem coreana, Juliano Son, que contabiliza milhões de seguidores nas redes sociais.

"Simplesmente adoro. Não consigo passar um dia sem escutar K-Pop. É um estilo de vida", contou a estudante Natália Noronha, de 19 anos, caracterizada como uma legítima Kpopper (fã de K-Pop), com minissaia e botas de cano alto. Ela foi ao festival com os pais e a irmã mais nova e dançava, animadamente, a coreografia da apresentação das garotas do grupo Chic Angel, uma das atrações musicais mais aguardas do festival, na noite de sábado.

"Eu confesso que não entendo nada, mas acho divertido ver toda a produção desta garotada e fico feliz por vê-la tão feliz e ainda aprendendo um novo idioma", disse Núbia Noronha, farmacêutica, mãe de Natália.

"Os títulos das músicas são mais fáceis por estarem em inglês, mas a maior parte das músicas é cantada em coreano mesmo", afirmou a estudante, que procura se aprimorar no idioma por meio de vídeos que assiste no You Tube. "Não é nada fácil. Mas o que vale é sentir a emoção", disse.

A fisioterapeuta Iara Cremasco, outra brasileira fascinada pelo universo coreano, também disse que procura ampliar seus conhecimentos da língua pela internet, mas no seu caso o interesse é pelas novelas do país.

"O que me agrada mesmo são as novelas coreanas que assisto pela internet. São tão diferentes das brasileiras. Tão bem escritas. Mas, claro, só entendo os vídeos que transcrevem as legendas deles para a nossa língua", disse Iara. Motivada pela teledramaturgia coreana, ela foi ao festival pela primeira vez e se arriscou na degustação de um dos pratos mais típicos da culinária do país: o tteokbokki, uma espécie bolinho de arroz. "Gostei. Mas achei apimentado. Aliás, bem apimentado", afirmou.

"O segredo é harmonizar", sugeriu o premiado chef paulistano Paulo Shinn. Descendente de coreanos, ele foi convidado pela organização do festival a fazer uma releitura da cozinha coreana para paladares brasileiros.

"O que estou apresentando aqui pode parecer algo muito diferente da culinária praticada pela minha mãe e minha avó, mas, de fato, não é. Digamos que é uma culinária de raízes coreanas, mas adaptada aos dias de hoje. Capaz de agradar tanto a quem vem de lá como elas, como ao jovem brasileiro que curte K-Pop", resumiu Shinn.

Estadão
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