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Ativistas divergem sobre invasão e pesquisadores defendem instituto

Segundo polícia, quem estiver com cães do centro de pesquisas invadido pode ser indiciado por crime de receptação

20 out 2013
21h54
atualizado às 21h54
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<p>Instituto Royal foi invadido na madrugada de sábado, após uma semana de protestos na área</p>
Instituto Royal foi invadido na madrugada de sábado, após uma semana de protestos na área
Foto: Marcelo Roque / vc repórter

O protesto contra o uso de animais em pesquisas, que culminou na invasão ao Instituto Royal, em São Roque (SP), na madrugada de sexta-feira, começou ainda no dia 12, quando um pequeno grupo se acorrentou aos portões do local. Conforme contou ao Fantástico a ativista Adriana Greco, o número de pessoas foi aumentando e o clima ficou tenso. "Eu comecei a pedir para o pessoal vir para invadir mesmo, porque a gente tinha que fazer alguma coisa, porque estava muito revoltante", disse.

No dia seguinte, ela negou ter pedido a invasão: "A gente não tinha intenção nenhuma de invasão. Quando eu subi, eu já não vi mais nada. Não sei quem levou. Eu não fiquei com nenhum, porque eu não fui lá pra isso". Também no sábado, ocorreu novo protesto, com a participação de Black Blovs, que terminou em confronto com a polícia e carros da PM e da Rede Globo incendiados. Ativistas disseram à emissora que a manifestação seria pacífica. "A gente sabe que alguns veículos foram incendiados, mas a gente não sabe como que isso aconteceu", disse Jane Santos.

Os 178 cães retirados do instituto foram levados para casas de diversas pessoas. Em São Roque, um casal que não quis se identificar disse que abrigou um filhote "por amor". Na capital paulista, um jovem está com seis cachorros, e diz que "claramente eles sofreram muitos maus tratos", mostrando um dos beagles com a língua machucada. A polícia registrou dois boletins de ocorrência, para investigar a denúncia de maus tratos no instituto e outro contra os ativistas, por furto. Segundo o delegado responsável pelo caso, quem estiver com cães do centro pode ser indiciado por crime de receptação.

O Instituto Royal faz estudos em animais para testar a segurança de remédios antes de eles serem usados por seres humanos. Ao Fantástico, o diretor-científico do Instituto Royal, João Antônio Henriques, explicou que "as indústrias sérias que trabalham com cosméticos não usam mais animais". Ele também negou maus tratos, e afirmou que o machucado na língua do cão, mostrado pelo jovem, foi decorrência de uma briga dentro do canil num momento de recreação. "Isso é uma coisa normal, que acontece em qualquer canil", disse. Sobre um cão encontrado congelado, o pesquisador alegou que a morte foi natural e o congelamento era para conservar o corpo enquanto aguardavam a patologista.

A gerente Silvia Ortiz comentou a invasão do local, citando que houve destruição de equipamentos fora do área do canil e, inclusive, medicamentos foram levados. De acordo com ela, a sujeira denunciada pelos ativistas que entraram no centro se deveria ao fato de que os funcionários já haviam sido impedidos de trabalhar no dia anterior pelos manifestantes, e pelo susto dos animais com a invasão do local, que tem entrada de pessoal controlada.

Após denúncias, o Ministério Público começou uma investigação para saber se os animais eram vítimas de abusos, mas o trabalho foi interrompido após a invasão. "Grande parte de provas que poderiam ser angariadas para a nossa investigação foram destruídas", revelou o promotor Wilson Velasco Júnior. Neste sábado, os dois primeiros cachorros foram recuperados pela polícia, abandonados na rua. Hoje, o deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) visitou o Instituto Royal e afirmou que a Câmara vai investigar as denúncias de violência contra os animais.

A fiscalização das atividades do Instituto Royal era feita pelo Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal (Concea), do Ministério da Ciência e Tecnologia. O coordenador do órgão, Marcelo Morales, afirmou que não havia irregularidades no local, que "tinha todo o credenciamento para realizar as pesquisas com animais". Segundo ele, o Brasil tem regras rígidas para proteger animais usados como cobaias. "Nós temos que ter veterinários presentes. Esses animais quando passam por procedimentos tem que estar anestesiados", esclareceu. "Todos os medicamentos que nós temos nas prateleiras das farmácias foram testados em animais. O beagle é utilizado como padrão internacional. Ele tem uma similaridade muito grande com o organismo humano. Substituir o cão? Quem sabe no futuro. Mas a gente ainda está muito longe disso."

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Fonte: Terra
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