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47% das internações na cidade de SP são evitáveis com atenção básica, aponta Mapa da Desigualdade

Dados de 2019 apontam que morador do Jaçanã tem 17 vezes mais chance de ser internado por doença que poderia ser controlada do que alguém de Moema; levantamento expõe outras diferenças sociais na realidade paulistana

29 out 2020
10h12
atualizado às 11h51
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Um morador do Jaçanã, na zona norte de São Paulo, tem 17,1 vezes mais chance de ser internado por uma doença que poderia ser controlada com atenção básica e prevenção do que alguém de Moema, na zona sul. Na média municipal, 47,1% dos leitos na cidade são ocupados com Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP), segundo dados de 2019 compilados pelo Mapa da Desigualdade 2020, divulgado nesta quinta-feira, 29, pela Rede Nossa São Paulo.

Esse indicador geralmente é utilizado para avaliar os serviços de saúde e a capacidade de resolução da atenção primária, que, quando não é suficiente, pode acabar por gerar uma demanda excessiva de média e alta complexidade. No Jaçanã, por exemplo, ele representa 77,7% do total de internações do distrito, enquanto é de 4,5% em Moema. Dentre as ICSAP, estão: doenças evitáveis por imunização; anemia; infecções de ouvido, nariz e garganta; deficiências nutricionais; asma; bronquite; hipertensão; diabete mellitus; infecção no rim e no trato urinário; e infecção de pele e tecido subcutâneo.

47% das internações na cidade de SP são evitáveis com atenção básica, diz Mapa da Desigualdade
47% das internações na cidade de SP são evitáveis com atenção básica, diz Mapa da Desigualdade
Foto: Marcelo Casall Jr/Agência Brasil / Estadão

O Mapa da Desigualdade reúne indicadores dos 96 distritos paulistanos sobre população, meio ambiente, mobilidade, direitos humanos, habitação, saúde, educação, cultura, esporte, trabalho e renda. Os dados são extraídos de bases de dados públicas e compilados.

Entre os indicadores positivos, os distritos que aparecem mais frequentemente são predominantemente os de áreas de população de maior renda na cidade, como Alto de Pinheiros, Pinheiros, Butantã, Jardim Paulista e Perdizes, na zona oeste, Consolação e República, no centro expandido, e Santo Amaro, Itaim Bibi e Moema, na zona sul.

Por outro lado, os piores índices estão principalmente na periferia: Marsilac, Jardim Ângela e Capão Redondo, na zona sul; Brasilândia e Vila Medeiros, na zona norte; Cidade Tiradentes e São Miguel, na zona leste; e Brás, Sé e Bom Retiro, no centro expandido.

Na cidade de São Paulo, a média de idade ao morrer é de 68 anos, com o melhor índice registrado no Jardim Paulista (81,5 anos) e o pior no Jardim Ângela (58,3). Já a mortalidade infantil é 16 vezes maior em São Miguel (20,3 casos a cada mil crianças nascidas vivas) do que em Marsilac (média inferior a um),enquanto a mortalidade materna é mais de 9,3 vezes maior na Liberdade (182,1 casos a 100 mil nascidos vivos) do que em 18 distritos paulistanos (média inferior a um caso) , a maioria localizados na zona oeste e centro expandido.

Outro dado de saúde é o de tempo médio para consultas na Atenção Básica, que é 28 dias na cidade, mas tem variação significativa entre os distritos. Enquanto no Cambuci, no centro expandido, a média de 5 dias, na Água Rasa, zona norte, é de 43 dias. Além disso, a gravidez na adolescência é 24 vezes mais comum em São Rafael (15,3% das mães dos nascidos vivos tinham até 19 anos), na zona leste, do que no Jardim Paulista (0,6%).

Em relação a mortalidade entre residentes de 40 a 59 anos por determinadas doenças, a diferença também é expressiva entre os distritos. Em relação a doenças no aparelho circulatório, por exemplo, um morador de São Miguel (206,4 óbitos a cada 100 mil habitantes da faixa etária), na zona leste, tem 14 vezes mais chance de morrer por essa causa do que um do Jardim Paulista (inferior a um), na zona oeste.

No caso de doenças respiratórias, um residente em Marsilac (149,8 óbitos a cada 100 mil habitantes entre 40 e 59 anos) tem 43 vezes mais chance de não sobreviver do que o da Barra Funda e de Pinheiros (média inferior a um), na zona oeste. No caso de neoplasias do aparelho digestivo, a mortalidade é 12 vezes maior em Marsilac (99,9 óbitos a cada 100 mil habitantes entre 40 e 59 anos) do que na Barra Funda e na Sé (inferior a um). Um dos possíveis fatores para o distrito de Marsilac se destacar é ser pouco populoso (8.398 moradores), enquanto a média paulistana é de 123 mil pessoas por distrito.

Paulistanos de 29 distritos não têm metrô, trem ou monotrilho perto de casa

O levantamento também traz dados sobre transporte e mobilidade. Moradores de 29 distritos da cidade não têm uma estação de trem, metrô ou monotrilho a até um quilômetro de casa. Na cidade, a média é de 18,1%. O distrito melhor assistido nesse aspecto é o da República, com 88%.

Já o tempo médio do trajeto de casa para o trabalho por transporte público é de 56,2 minutos na cidade. Ele é quatro vezes mais alto em Marsilac (124,7), no extremo sul, do que no Brás (31,3%), no centro expandido.

Já o acesso à infraestrutura cicloviária em até 300 metros da residência é de 100% no Pari, no centro expandido, enquanto é nulo em nove distritos da periferia. A média municipal é 41%.

Em relação à habitação, a proporção de domicílios em favelas em relação ao total é de 9,7% na cidade, média que é de 69,5% no Jardim São Luís, na zona sul, e é nula em 10 distritos da zona oeste e centro expandido.

No caso de meio ambiente, um dos dados mostra que apenas 0,3% dos resíduos domésticos têm coleta seletiva na subprefeitura de Itaim Paulista, abrangência 42 vezes menor do que a da Vila Mariana (10,6%). A média municipal é de 2,1%.

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Estadão
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