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Caso Coaf: O que disseram Bolsonaro, Onyx e Moro sobre depósitos suspeitos de ex-motorista

Relatório apontou movimentação bancária atípica por parte de José Carlos de Queiroz, que atuava como motorista de Flávio Bolsonaro. Até agora o ex-assessor não se manifestou. Membros da equipe do presidente eleito disseram que os fatos serão esclarecidos. Mas várias perguntas permanecem sem resposta.

12 dez 2018
14h55
atualizado em 13/12/2018 às 12h41
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Membros da equipe de Jair Bolsonaro (PSL) se manifestaram algumas vezes, nos últimos dias, sobre as movimentações bancárias suspeitas de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito. Mas muitas perguntas continuam sem resposta e o protagonista dessa história, o policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, se manteve em silêncio desde que o caso veio à tona.

Relatório apontou movimentação bancária atípica de assessor que atuava como motorista de Flávio Bolsonaro (foto)
Relatório apontou movimentação bancária atípica de assessor que atuava como motorista de Flávio Bolsonaro (foto)
Foto: REUTERS/Sergio Moraes / BBC News Brasil

Queiroz atuava como motorista e segurança de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e é amigo de longa data de Jair Bolsonaro. Ele foi exonerado do cargo em outubro.

A movimentação financeira atípica apareceu num relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf) produzido como parte da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, para identificar transações de assessores legislativos que pudessem estar ligadas a esquemas de pagamento de propina a deputados estaduais no governo de Sérgio Cabral (PMDB-RJ), que está preso.

Segundo o Coaf, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, Queiroz recebeu depósitos e fez saques num valor total de R$ 1,2 milhão - dinheiro que seria incompatível com seu patrimônio e ocupação. O mesmo relatório apontou transações atípicas de assessores de outros 20 deputados estaduais de diferentes partidos, como PT, MDB e PSC.

No caso de Queiroz, o Ministério Público Federal não encontrou indícios de que as transações tenham relação com o esquema investigado pela Lava Jato. Mas há suspeitas de que crimes possam ter sido cometidos. Por isso, o MPF enviou o relatório do Coaf para o Ministério Público estadual do Rio de Janeiro, que abriu um Procedimento de Investigação Criminal.

Ainda não se sabe de onde vieram e para onde foram o valores movimentados por Queiroz.

Mas o que Flávio Bolsonaro e os integrantes da equipe de Jair Bolsonaro disseram até agora sobre o caso?

'Queiroz dará explicações'

A maioria dos integrantes do futuro governo pediram que os fatos sejam investigados e disseram que aguardam explicações do ex-motorista de Flávio Bolsonaro.

Um aspecto que chama a atenção é o fato de sete outros assessores que passaram pelo gabinete de Flávio terem feito depósitos na conta de Queiroz, em valores equivalentes a saques realizados pouco depois.

E a maior parte desses depósitos coincide com as datas de pagamento na Alerj, segundo reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo.

Relatório do Coaf apontou movimentações suspeitas de assessores de diversos deputados
Relatório do Coaf apontou movimentações suspeitas de assessores de diversos deputados
Foto: Alerj / BBC News Brasil

Flávio Bolsonaro só se manifestou pelo Twitter no dia 8 de dezembro e, depois, por meio de uma nota divulgada por sua assessoria de imprensa.

Ele apenas disse que Queiroz é de sua "confiança" e afirmou ter "certeza" de que o ex-assessor dará as explicações necessárias. Mas não respondeu a perguntas nem esclareceu porque diversos de seus assessores teriam feito depósitos na conta de seu ex-motorista.

"Fabricio Queiroz trabalhou comigo por mais de dez anos e sempre foi da minha confiança. Nunca soube de algo que desabonasse sua conduta", disse, no Twitter. "Em outubro foi exonerado, a pedido, para tratar de sua passagem para a inatividade. Tenho certeza de que ele dará todos os esclarecimentos."

Sem 'medo da verdade'

'O presidente eleito é um homem que sempre se pautou pela verdade', disse Onyx Lorenzoni, ao defender que movimentações bancárias sejam esclarecidas
'O presidente eleito é um homem que sempre se pautou pela verdade', disse Onyx Lorenzoni, ao defender que movimentações bancárias sejam esclarecidas
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil / BBC News Brasil

A declaração mais recente de um membro da equipe de Jair Bolsonaro foi a de Onyx Lorenzoni, indicado para ministro da Casa Civil, que já tinha falado antes sobre o tema. Ele voltou defender investigações e disse que Jair Bolsonaro não tem "medo da verdade".

"Isso precisa ter uma investigação para que tudo se esclareça. O presidente eleito é um homem que sempre se pautou pela verdade. Não teme a verdade e a gente tem total tranquilidade sobre essa circunstância", afirmou, em entrevista à imprensa na noite de terça.

"A longa vida pública dele é um atestado maior. Então, precisa investigar para tudo se esclarecer."

Um dia antes, o futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, disse que as transações bancárias ex-assessor de Flávio Bolsonaro precisam ser "esclarecidas", mas não quis se prolongar no assunto.

Moro não quis se prolongar no assunto ao ser perguntado sobre o que achava das movimentações atípicas do ex-assessor de Flávio Bolsonaro
Moro não quis se prolongar no assunto ao ser perguntado sobre o que achava das movimentações atípicas do ex-assessor de Flávio Bolsonaro
Foto: EVARISTO SA/AFP / BBC News Brasil

"Eu fui nomeado ministro da Justiça, não cabe a mim dar explicações sobre isso", disse, ao ser perguntado sobre o tema por jornalistas.

"O presidente [Bolsonaro] já apresentou alguns esclarecimentos. Tem outras pessoas que precisam prestar seus esclarecimentos e os fatos, se não forem esclarecidos, têm de ser apurados. Mas eu não tenho como ficar assumindo esse papel. O ministro da Justiça não é uma pessoa para ficar interferindo em casos concretos."

Pagamento de 'empréstimo'

No sábado, Jair Bolsonaro deu sua versão sobre um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que apareceu entre as transações de Queiroz que constam do relatório do Coaf.

Bolsonaro afirmou que o dinheiro se refere ao pagamento parcial de um empréstimo de R$ 40 mil concedido por ele ao amigo e ex-assessor do filho.

Bolsonaro não repassou à Receita Federal informações sobre o empréstimo de R$ 40 mil que disse ter concedido ao ex-assessor de seu filho
Bolsonaro não repassou à Receita Federal informações sobre o empréstimo de R$ 40 mil que disse ter concedido ao ex-assessor de seu filho
Foto: REUTERS/Adriano Machado / BBC News Brasil

"Em outras oportunidades, eu já o socorri financeiramente. Nesta última agora houve um acúmulo de dívida dele para comigo. Não foi um cheque de R$ 24 mil. Não foi um cheque. Nem seis cheques de R$ 4 mil. Foram, na verdade, dez cheques de R$ 4 mil", afirmou o presidente eleito a jornalistas em evento na Escola Naval, no Rio de Janeiro, no sábado.

"Eu não botei na minha conta porque eu tenho dificuldade para ir em banco, andar na rua, e eu deixei para minha esposa. Lamento o constrangimento pelo qual ela está passando, mas ninguém recebe ou dá dinheiro sujo com cheque nominal, meu Deus do céu", completou.

O presidente eleito também admitiu que não informou esses empréstimos à Receita Federal. "Se eu errei, eu arco com minha responsabilidade perante o Fisco, sem problema nenhum."

Bolsonaro relatou ter conhecido Queiroz em 1984 e que estiveram juntos em festas e eventos ao longo dos anos.

"O próprio Coaf diz que movimentação atípica não é uma afirmação de que ele seja culpado de alguma coisa. Nós temos 600 mil pessoas na malha fina do Imposto de Renda. Não quer dizer que eles sejam criminosos. Eu espero que, uma vez um processo sendo instaurado, que ele se explique. Nada mais além disso."

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