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Brasil não tem poder econômico fora do multilateralismo, diz Temer

6 dez 2018
12h10
atualizado às 14h40
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A 25 dias de deixar o governo, o presidente Michel Temer afirmou que o Brasil não tem poder econômico hoje para "patrocinar o isolacionismo" e defendeu o multilateralismo nas relações comerciais.

Presidente Michel Temer durante café da manhã com jornalistas no Palácio da Alvorada 06/12/2018 REUTERS/Adriano Machado
Presidente Michel Temer durante café da manhã com jornalistas no Palácio da Alvorada 06/12/2018 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

"Sou francamente a favor do multilateralismo. Não temos poder ecônomico e político para o isolacionismo, o unilateralismo", defendeu Temer em conversa com jornalistas de agências internacionais em um café da manhã nesta quinta-feira.

O presidente elogiou a postura dos países do G20, na reunião em participou em Buenos Aires na semana passada, quando todos os países presentes teriam defendido essa postura. "Hoje não é mais uma posição possível o isolacionismo", disse.

A posição de Temer contrasta com declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro, que defende uma aproximação maior com os Estados Unidos, vem criticando o excesso de relação do Brasil com a China, maior parceiro comercial do país, e diz ser necessário mudar toda a política externa brasileira.

Apesar disso, Temer afirmou que não vê mudanças significativas na área. "Eu acho que a política externa vai continuar. Há uma ou outra afirmação, mas acho que as coisas vão ser ajustadas."

O presidente também defendeu a importância do Acordo de Paris, que Jair Bolsonaro já afirmou, mais de uma vez, que planeja deixar. Lembrou que o Brasil foi um dos primeiros a depositar na Organização das Nações Unidas a ratificação do acordo e que salvar o meio ambiente é salvar vidas.

"Eu acho que aos poucos dentro do governo eleito está havendo essa compreensão", disse.

Durante a campanha Bolsonaro já havia ameaçado sair do acordo de Paris. Apesar de recuar depois disso, ele repetiu a posição recentemente ao afirmar que havia sido dele o pedido para que o Brasil não sediasse a Conferência das Partes 25 sobre mudanças climáticas.

"Não quero anunciar uma possível ruptura (com o acordo) dentro do Brasil. Além dos custos que seriam, no meu entender, bastante exagerados tendo em vista o déficit que nós já temos no momento", disse o presidente eleito.

Na semana passada, durante a reunião do G20, o presidente da França, Emanuel Macron, afirmou que o apoio da França ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia dependeria da posição do Brasil sobre o acordo de Paris.

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