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Bolsonaro acusado de crimes contra humanidade é destaque na imprensa estrangeira

Leitura de relatório da CPI da Covid virou manchete em periódicos globais, que destacaram, porém, que impacto jurídico pode ser nulo.

20 out 2021 17h50
| atualizado às 17h55
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Protesto contra Bolsonaro em Brasília, nesta terça; relatório da CPI acusa presidente de nove crimes
Protesto contra Bolsonaro em Brasília, nesta terça; relatório da CPI acusa presidente de nove crimes
Foto: Reuters / BBC News Brasil

A acusação de crimes contra a humanidade, um dos nove crimes pelo qual o presidente Jair Bolsonaro foi acusado, nesta quarta-feira (20/10), pelo relatório final da CPI da Covid no Senado, foi o principal destaque da cobertura da imprensa internacional sobre o caso.

O jornal americano The New York Times, que noticiou a conclusão da CPI em seus principais boletins noticiosos, reportou que "Líder brasileiro é acusado de crimes contra a humanidade na resposta à pandemia", apontando que a CPI concluiu que Bolsonaro "intencionalmente deixou o coronavírus se alastrar pelo país e matar centenas de milhares de pessoas em uma aposta fracassada de atingir imunidade de rebanho e reviver a maior economia da América Latina".

O presidente negou as acusações nesta quarta-feira. "Nós sabemos que não temos culpa de absolutamente nada. Sabemos que fizemos a coisa certa desde o primeiro momento", declarou Bolsonaro em evento no Ceará.

Na Inglaterra, o jornal The Guardian destacou o Brasil em sua manchete principal, que dizia: "Bolsonaro deve ser indiciado por crimes contra a humanidade, aponta investigação sobre covid".

Ao todo, o presidente brasileiro foi acusado de nove crimes pelo relatório da CPI: epidemia, charlatanismo, incitação ao crime, falsificação de documentos, uso irregular de verbas públicas, prevaricação, violação de direito social, crime de responsabilidade e crimes contra a humanidade.

O relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL) sugere o indiciamento do presidente da República e de outras 65 pessoas - incluindo ministros, ex-ministros e filhos de Bolsonaro - e duas empresas.

"A comissão que analisou a gestão da crise sanitária aponta o mandatário como responsável pela disseminação do vírus no país, o mais afetado do continente", noticiou o jornal argentino La Nación.

Senador Renan Calheiros durante a leitura do relatório final da CPI da Covid, nesta quarta; conclusão virou manchete na imprensa internacional
Senador Renan Calheiros durante a leitura do relatório final da CPI da Covid, nesta quarta; conclusão virou manchete na imprensa internacional
Foto: EPA / BBC News Brasil

O jornal francês Le Monde afirmou, porém, que as "acusações sérias" devem ter "um alcance mais simbólico, (uma vez que) o presidente de extrema direita conta com um apoio do Parlamento capaz de impedir a abertura de um processo de impeachment. Da mesma forma, o procurador-geral da República, Augusto Aras, aliado de Bolsonaro, pode bloquear qualquer indiciamento (contra o presidente)."

Na mesma linha, o jornal americano Miami Herald republicou texto da agência Bloomberg destacando que a conclusão da investigação do Senado "provavelmente não terá impacto de curto prazo no destino político do presidente".

O periódico alemão Der Spiegel também chamou atenção para a acusação de crimes contra a humanidade, apontando que "o relatório levanta sérias acusações contra o populista de direita".

Destacando a relativa blindagem com a qual Bolsonaro conta no Congresso e na Procuradoria-Geral da República, o jornal alemão afirmou que, "mesmo assim, o relatório pode prejudicar politicamente o presidente, que se candidatará à reeleição no próximo ano".

A rede Al Jazeera também reportou sobre a conclusão da CPI brasileira, afirmando que "o inquérito começou em abril alegando que Bolsonaro declinou oportunidades, no início da pandemia, de adquirir vacinas - atrasando a campanha de imunização brasileira, com um custo de 95 mil vidas (uma estimativa feita durante o depoimento do epidemiologista Pedro Hallal à comissão, em junho). O inquérito foi marcado por depoimentos emocionantes de testemunhas e revelações assustadoras".

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